O Centrão está ajustando sua relação com o PL para a próxima legislatura, à medida que se intensificam as articulações para a reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Apesar do apoio de partidos do bloco a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, os dirigentes buscam garantir espaço nas negociações com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impedir que os bolsonaristas dominem o comando do Congresso Nacional, especialmente após a fuga de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, que deixou seus aliados sem liderança clara.
Essa situação evidencia uma diferença entre as alianças eleitorais e os acordos parlamentares. Partidos como União Brasil, PP e Republicanos, que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno, já demonstram que o voto no pleito presidencial não implica automaticamente apoio conjunto ao PL no Legislativo.
Na Câmara
Na Câmara, Hugo Motta fortaleceu sua candidatura com o apoio do PT, que junto com o PCdoB e PV formam uma federação que declara suporte à sua reeleição, totalizando 361 deputados eleitos vinculados a esses partidos.
Contudo, o PT condiciona seu apoio à exclusão do PL e do Novo do bloco, ameaça que foi comunicada a Hugo Motta, que garantiu consultas prévias antes de aceitar qualquer nova sigla. Essa resistência visa limitar o espaço da oposição na estrutura de poder da Câmara e dificultar a possibilidade do PL presidir a Casa, mesmo com sua bancada de 121 deputados.
O PL visa ganhar protagonismo na distribuição das comissões permanentes, especialmente na Comissão de Constituição e Justiça, Relações Exteriores e Segurança Pública, espaços que influenciam projetos e temas prioritários, além de fiscalizar o governo. O PL pode usar o tamanho de sua bancada para reivindicar postos nessas comissões, enquanto o Centrão tenta equilibrar essa demanda com a articulação pela permanência de Hugo Motta.
No Senado
No Senado, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à reeleição de Davi Alcolumbre, enfraquecendo a candidatura da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para o comando da Casa.
O PL agendou uma reunião para 4 de novembro para decidir sobre lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência do Senado, numa possível disputa contra Davi Alcolumbre. Parte da oposição defende um acordo entre Marinho e Tereza Cristina para evitar a fragmentação dos votos contrários à recondução de Alcolumbre.
Davi Alcolumbre conta com o apoio do MDB, PSD, PT, União Brasil e PP, que juntos terão 33 senadores, pouco abaixo dos 41 necessários para a eleição. A eleição para o comando do Senado é estratégica, pois o presidente decide sobre o andamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, tema de interesse dos bolsonaristas.
Embora o PL tenha a maior bancada, precisará de alianças para vencer a eleição, e a decisão sobre Marinho e o possível acordo com Tereza Cristina serão decisivos para medir a força da oposição contra a articulação de Alcolumbre.
Fonte: Metrópoles

