19.5 C
Brasília
sexta-feira, 09/01/2026

Cem tratores invadem Paris em protesto contra acordo UE-Mercosul

Brasília
nuvens quebradas
19.5 ° C
19.5 °
18.1 °
89 %
1kmh
75 %
sex
26 °
sáb
27 °
dom
26 °
seg
28 °
ter
23 °

Em Brasília

Cerca de cem tratores entraram em Paris na madrugada desta quinta-feira, bloqueando ruas e avenidas centrais da capital francesa, incluindo regiões próximas a pontos turísticos como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. Embora a maioria dos veículos tenha sido parada nas entradas da cidade pelas autoridades, alguns agricultores conseguiram avançar até áreas sensíveis, contrariando a proibição de manifestações não autorizadas nas sedes do governo, presidência, Assembleia Legislativa e Senado.

O protesto foi organizado pelo sindicato Coordenação Rural, que exige mudanças na gestão da dermatose nodular contagiosa (DNC) em bovinos e manifesta-se contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Stéphane Pelletier, vice-presidente da Coordenação Rural na região de Vienne, próxima à Torre Eiffel, declarou: “Estamos entre o desespero e o desapontamento. Sentimos que fomos abandonados em favor de tecnologias avançadas, como naves espaciais, Airbus ou carros”.

Por volta das 8h no horário local, cerca de 20 tratores circularam por pontos estratégicos da cidade, com parte estacionada às margens do rio Sena e outros bloqueando a Avenida Champs-Élysées diante do Arco do Triunfo.

Os bloqueios causaram engarrafamentos extensos em vias importantes e nas rodovias que dão acesso a Paris, como a A13, conforme informou o ministro dos Transportes, Philippe Tabarot. A porta-voz do governo francês, Maud Brégeon, qualificou as ações como “inaceitáveis” e ressaltou que medidas serão tomadas contra atividades ilegais. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, acompanha o evento com atenção extrema.

Os agricultores lutam por duas demandas principais: a revisão do acordo UE-Mercosul e uma nova abordagem no combate à dermatose nodular contagiosa, doença que tem causado o abate obrigatório de bovinos em várias regiões rurais. Apesar da recente suspensão da taxa de carbono sobre fertilizantes pela Comissão Europeia, medida apoiada pela França e Itália, o país mantém a oposição ao tratado, buscando apoio de outros membros da UE para formar uma “minoria de bloqueio”.

Em relação à doença do gado, sindicatos como a Coordenação Rural e a Confederação Paysanne criticam a política governamental que determina o abate imediato dos animais infectados e vacinação compulsória em um raio de 20 km, além da restrição total de movimentação dos bovinos. Já a Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA) apoia a medida como necessária para conter a enfermidade.

A mobilização prevista continua com um novo ato em frente à Assembleia Nacional, reforçando a insatisfação tanto com a política sanitária quanto com o acordo comercial. O protesto evidencia a crescente tensão entre o governo e o setor agropecuário, especialmente no sudoeste da França, tradicional reduto dos agricultores mobilizados.

Este movimento ocorre em um cenário político sensível para o governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta pressões internas e externas relacionadas ao tratado entre EU e Mercosul, com opiniões divergentes entre os países membros e negociações em curso a nível comunitário.

Veja Também