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sexta-feira, 09/01/2026

Cem tratores chegam a Paris em protesto contra acordo entre UE e Mercosul

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Cerca de cem tratores chegaram a Paris na madrugada de quinta-feira para protestar contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A manifestação causou bloqueios em ruas centrais da cidade, incluindo áreas próximas da Torre Eiffel e do Arco do Triunfo. A maioria dos veículos foi detida na entrada da capital, porém alguns agricultores conseguiram avançar, apesar da proibição de protestos em áreas governamentais.

O sindicato Coordenação Rural organizou o protesto, expressando descontentamento com a gestão da dermatose nodular contagiosa (DNC) que afeta o gado e se opõe ao tratado entre a UE e o Mercosul. Stéphane Pelletier, vice-presidente da Coordenação Rural, declarou: “Estamos entre o desespero e o desapontamento, sentimos que fomos abandonados em favor de indústrias aeronáuticas e automobilísticas.”

Por volta das 8h locais, cerca de 20 tratores circulavam por pontos turísticos e estratégicos, com alguns estacionados às margens do rio Sena, enquanto outros trafegavam pela Avenida Champs-Élysées até o Arco do Triunfo.

A mobilização provocou engarrafamentos extensos em acessos a Paris, especialmente na rodovia A13. A porta-voz do governo francês, Maud Brégeon, qualificou os bloqueios como “inaceitáveis”, afirmando que ações ilegais não serão toleradas, e o ministro do Interior, Laurent Nuñez, monitora a situação de perto.

Contexto político e sanitário

Os agricultores exigem a revisão do acordo UE-Mercosul e mudanças na abordagem à DNC, que tem causado abate compulsório de bovinos infectados e restrições rigorosas na movimentação de animais. Enquanto a maior federação agrícola, FNSEA, apoia as medidas do governo para controlar a doença, sindicatos como a Coordenação Rural pedem abate apenas dos animais doentes e vacinação do restante do rebanho.

O município francês reforça sua oposição ao tratado comercial, buscando apoio de países como Polônia e Hungria para adiar a aprovação do acordo na UE, apesar do avanço do processo com o apoio da Itália. Medidas internas também foram anunciadas para restringir a importação de produtos agrícolas que não cumpram padrões sanitários e ambientais.

Um novo protesto está convocado em frente à Assembleia Nacional, reforçando o clima de tensão entre os agricultores e o governo do presidente Emmanuel Macron.

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