Governadora nega ilegalidade; resposta não explica os critérios da contratação da empresa do marido e da filha.
Celina Leão (PP) reagiu às denúncias envolvendo a empresa de seus familiares acusando adversários de promover um “debate muito baixo” e atacar sua família. A fala, porém, não esclarece os serviços e os critérios que justificaram os pagamentos questionados.
Segundo reportagem de O Globo, repercutida pelo Jornal Opção, a Real JG Facilities, contratada pelo GDF, pagou R$ 1,4 milhão à Faceng Engenharia, empresa do marido e da filha da governadora.
A defesa afirma que os valores remuneraram serviços privados. Entretanto, segundo a publicação, não identificou as obras quando questionada.
Discurso de vítima não substitui esclarecimentos
Ao tratar os questionamentos como ataques familiares, Celina minimiza uma discussão legítima sobre ética e possíveis conflitos de interesses. A posição de vítima não pode servir para afastar a fiscalização de negócios entre uma fornecedora do governo e a empresa de sua família.
Ainda não está comprovado que houve intenção de favorecimento nem que recursos públicos financiaram os repasses. É justamente essa possível conexão que precisa ser apurada. Se houve benefício familiar condicionado a contratos públicos, a gravidade não poderá ser reduzida a uma disputa eleitoral.
Celina menciona notas fiscais e registros tributários para defender a regularidade dos negócios. Esses documentos, isoladamente, não esclarecem por que a Faceng foi escolhida nem comprovam toda a execução dos serviços.
O caso motivou um pedido de investigação ao MPDFT. Os envolvidos negam irregularidades.
A população merece documentos e respostas objetivas. Desqualificar quem denuncia não esclarece o que foi denunciado.
