Maria Laura da Rocha, embaixadora e secretária-geral de Relações Exteriores, informou neste sábado (3/1) que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) está considerando realizar uma reunião no domingo (4/1) para tratar do ataque dos Estados Unidos à Venezuela.
Em uma coletiva de imprensa no Palácio do Itamaraty, a embaixadora mencionou que o encontro estava previsto para as 14h do domingo (4), pelo horário de Brasília, embora não tenha confirmado com certeza sua realização.
A notícia foi dada durante a sessão que contou também com a presença do ministro da Defesa, José Múcio. Antes disso, ambos participaram de uma reunião remota com o presidente Lula (PT) e membros do governo para analisar o episódio.
Também se juntaram por videoconferência o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e a ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior.
A Celac é composta por 33 nações da América Latina e do Caribe, visando fortalecer o diálogo regional e alinhar posições políticas entre os países membros. Atualmente, a presidência está a cargo da Colômbia, que decidirá sobre a convocação da reunião.
José Múcio ressaltou que a fronteira brasileira com a Venezuela permanece tranquila, com o movimento de turistas brasileiros retornando em segurança.
“A situação da fronteira está mais calma do que nunca, o movimento é mínimo e as fronteiras estão abertas. Brasileiros que estiverem lá podem voltar com segurança”, afirmou o ministro.
Ataque na Venezuela
Nos Estados Unidos, ações militares foram realizadas em várias áreas da Venezuela no sábado (3/1), período em que o presidente americano, Donald Trump, anunciou a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Segundo Trump, ambos foram levados por navio até Nova York, onde Maduro enfrentará acusações de narcoterrorismo.
Horas após a captura, o presidente publicou uma imagem de Maduro algemado, com os olhos vendados e usando protetores auriculares, segurando uma garrafa de água, registrada a bordo do USS Iwo Jima, navio que os transporta para os EUA.
Em seguida, em um pronunciamento na Flórida, Trump explicou que a ofensiva teve relação com o interesse no petróleo da região e que os Estados Unidos administrariam a Venezuela até a transição de poder.
Com a saída de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodriguez assumiu a liderança do país e declarou, em reunião do Conselho de Defesa, que a Venezuela não se submeterá aos EUA.
Durante a coletiva no Itamaraty, Maria Laura da Rocha declarou que o Brasil reconhece Delcy Rodriguez como a atual presidente da Venezuela.

