YURI EIRAS E ITALO NOGUEIRA
FOLHAPRESS
Eduardo Cavaliere, do PSD, começou seu mandato como prefeito do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (20) com várias tarefas importantes. Ele precisa manter a equipe do ex-prefeito Eduardo Paes, liderar ações para melhorar a segurança pública e iniciar uma grande reforma no centro da cidade. Um dos projetos principais é a demolição de um viaduto antigo, com investimento estimado em R$ 1,7 bilhão, que começou a ser discutido na Câmara apenas este mês.
Nos bastidores, Cavaliere terá que ganhar o apoio de aliados de Paes, incluindo secretários e vereadores que ainda não se acostumaram com seu jeito mais firme de governar. Ele manterá a equipe principal de Paes pelo menos até o final do ano. Alguns secretários importantes, como Jorge Arraes, secretário de Transportes, e Felipe Santa Cruz, secretário de Governo, continuam no cargo. Os secretários que desejam se candidatar nas eleições de outubro ainda escolherão seus substitutos, mantendo o equilíbrio dos partidos políticos na gestão.
Cavaliere é nascido no Rio de Janeiro e estudou em um colégio católico tradicional chamado Santo Agostinho, no Leblon. Ele tem formação em direito e matemática aplicada pela Fundação Getúlio Vargas e passou duas temporadas na China durante um intercâmbio antes dos 25 anos.
Cavaliere e Paes se conheceram quando o ex-prefeito já estava na iniciativa privada. Cavaliere trabalhou como vice-presidente da montadora chinesa BYD para a América Latina e também como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em 2018, participou da campanha de Paes para governador do estado, que acabou vencida por Wilson Witzel.
Em 2019, Cavaliere fundou a startup Gabriel, que instala câmeras de monitoramento nas ruas e envia imagens em tempo real para a polícia. A empresa atua nas cidades do Rio, São Paulo e Belo Horizonte e recebeu investimentos de empresas como Globo Ventures. Em 2020, Cavaliere deixou a startup para dedicar-se à política. O projeto gerou controvérsias relacionadas à privacidade, especialmente quando a prefeitura de Paes obrigou a retirada de 400 câmeras em 2025 por considerá-las invasivas.
Antes de assumir como prefeito, Cavaliere foi secretário do Meio Ambiente e da Casa Civil durante o terceiro mandato de Paes e foi eleito deputado estadual em 2022. Ele assumiu o compromisso de ser vice-prefeito para depois assumir a prefeitura, como parte da mesma chapa política. Espera-se que ele concorra ao governo do estado em 2026.
Cavaliere é conhecido por sua postura firme, semelhante à de Paes, mas é menos informal e tem um estilo mais reservado. Segundo fontes internas, ele tem um perfil estudioso, mas ainda precisa melhorar sua comunicação com vereadores para conquistar apoio político.
O novo prefeito já tem experiência, pois assumiu algumas responsabilidades desde o ano anterior, participando de reuniões e liderando projetos como o novo sistema de bilhetagem digital para os ônibus.
Cavaliere também demonstra semelhanças com Paes no modo de falar e nas escolhas de roupas, e busca se aproximar da cultura popular do Rio. No último Carnaval, ele desfilou com a escola Mangueira, usando um chapéu semelhante ao usado por seu mentor.
Nas suas declarações públicas, ele segue a linha liberal do ex-prefeito, o que causa desconfiança em aliados de esquerda. Durante uma entrevista ao jornal O Globo em dezembro, criticou o discurso do PT e do presidente Lula sobre segurança pública, o que gerou atritos políticos.
O tema da segurança é uma prioridade para a prefeitura, que conta com uma força municipal com agentes armados, mas essa área é de responsabilidade principal do governo do estado.
Além da segurança, a grande prioridade é o desenvolvimento urbano, especialmente para resolver a situação das áreas das zonas oeste e sudoeste da cidade, que estão cada vez mais povoadas e exigem melhorias no transporte público para o centro, onde estão os principais empregos.
Os últimos mandatos de Paes tentaram revitalizar o centro com o programa Reviver, que oferece benefícios fiscais para quem compra imóveis para morar, mas o alto custo dos apartamentos e o uso para aluguel temporário dificultam a fixação de moradores na região.
A maior obra que Cavaliere deverá comandar é a chamada “Praça 11 Maravilha”, que prevê a demolição do elevado 31 de março no centro e a transformação da área próxima ao sambódromo, com a construção de espaços abertos, prédios residenciais e um museu. O projeto, anunciado em novembro, recebeu sua primeira audiência pública na Câmara recentemente.
Moradores e especialistas alertam para riscos de aumento de preços dos imóveis e dos aluguéis, o que pode levar à gentrificação da região.

