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quarta-feira, 25/03/2026

Causas principais do bullying nas escolas brasileiras e quem sofre mais

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Mais de um quarto dos alunos no Brasil (27,2%) já passaram por situações repetidas de bullying nas escolas, conforme uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em 25 de abril de 2025.

Este levantamento, chamado Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), entrevistou estudantes entre 13 e 17 anos de escolas públicas e privadas e mostrou um aumento de 4,2% desde 2019. As maiores causas do bullying são a aparência do rosto, cabelo, corpo e a raça.

De modo geral, 59,7% dos alunos disseram não ter sofrido bullying nos últimos 30 dias, enquanto 27,2% afirmaram ter passado por isso duas ou mais vezes. Em 2019, essa taxa era 23%. A pesquisa também mostrou que as meninas são as que mais sofrem bullying.

O bullying é um tipo de agressão física ou psicológica, feita de propósito e de forma repetida. Em 2024, o Brasil criou uma lei que pune o bullying com multa e, no caso do cyberbullying, pode levar a prisão de dois a quatro anos.

Antes, desde 2015, já existia uma lei que definia bullying e pedia que as escolas prevenissem, mas não tinha punições.

Nos últimos anos, famílias e escolas têm sido processadas por casos de bullying e racismo. Houve um aumento grande no número de ações judiciais sobre isso entre 2020 e 2024.

Um caso importante em 2024 envolveu a filha da atriz Samara Felippo, que sofreu racismo aos 14 anos. O juiz considerou o ato grave e aplicou punições às meninas responsáveis pelo ataque.

Diferenças por região

Na Região Sul, mais alunos dizem não sofrer bullying (61,4%) e menos relatam sofrer frequentemente (25,7%), o que pode indicar escolas com ambiente mais seguro ou políticas eficazes, segundo especialistas do IBGE.

Na Região Sudeste, a porcentagem de alunos que sofrem bullying duas ou mais vezes é a maior (28,1%), acima da média nacional.

As Regiões Norte (26,6%), Nordeste (26,8%) e Centro-Oeste (27,6%) têm números próximos da média nacional.

Consequências do bullying

Os especialistas do IBGE alertam que, mesmo que a maioria dos estudantes não relate sofrer bullying, uma parte significativa enfrenta isso com frequência, o que pode prejudicar o desempenho escolar, a saúde mental e as relações sociais.

As meninas têm mais chance de serem vítimas, com 30,1% relatando humilhações, enquanto entre os meninos esse número é 24,3%. Em todas as regiões, as meninas são as que mais falam sobre intimidação constante.

O IBGE adaptou a pesquisa para usar uma linguagem que os adolescentes entendem, perguntando se já foram “zoado, humilhado, intimidado ou caçoado” por colegas.

Também foi constatado que 13,7% dos alunos admitiram praticar bullying no último mês, dos quais 16,5% são meninos e 10,9% meninas, mostrando que os meninos praticam mais agressões.

Segundo o IBGE, “Meninas sofrem mais bullying (30,1%), enquanto meninos praticam mais bullying (16,5%)”, evidenciando que meninos têm comportamentos agressivos com mais frequência enquanto meninas são as vítimas recorrentes.

Tipos de bullying

A pesquisa tem ajustado a descrição dos motivos para facilitar o entendimento dos estudantes e melhorar a precisão das respostas.

Na última edição, as principais razões para o bullying foram a aparência do rosto ou cabelo (30,2%) e do corpo (24,7%). A cor da pele ou raça foi apontada por 10,6%, seguida pelo uso de roupas ou materiais escolares (10,1%), que reflete diferenças econômicas ou identidades.

Também foram citados sotaque ou modo de falar (8,9%), religião (7,1%) e gênero ou orientação sexual (6,4%). A deficiência foi a causa menos mencionada (2,6%). 36,3% mencionaram outros motivos, mostrando que há muitas causas diversas.

Entre os que praticam bullying, os motivos principais são semelhantes: aparência do rosto ou cabelo (22,8%), corpo (17,1%) e cor ou raça (17,1%).

Cyberbullying

A pesquisa também levantou dados sobre bullying pela internet, o chamado cyberbullying. Cerca de 12,7% dos adolescentes disseram ter sofrido bullying nas redes sociais, sendo as meninas mais afetadas (15,2%) do que os meninos (10,3%).

Fonte: Adaptado da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) e dados do IBGE de 2024.

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