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quinta-feira, 09/04/2026

Casos de câncer no DF devem passar de 10 mil por ano até 2028

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O Distrito Federal pode registrar mais de 10 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, conforme previsão do Instituto Nacional de Câncer (INCA). São estimados 10.070 diagnósticos anuais, acompanhado da tendência nacional que projeta cerca de 781 mil novos casos por ano no Brasil no mesmo período. No Dia Mundial de Combate ao Câncer, que ocorre nesta quarta-feira (8), especialistas alertam que, apesar do câncer ser uma das principais causas de morte no país, muitos casos podem ser evitados com diagnóstico precoce e hábitos de vida saudáveis.

Na capital federal, excluindo o câncer de pele não melanoma, que é o mais comum e menos grave, são previstos cerca de 7,6 mil casos por ano. Os dados do INCA mostram que 4.540 casos são em homens e 5.530 em mulheres anualmente. Os tipos mais comuns no DF são câncer de mama, próstata, cólon e reto, traqueia, pulmão e estômago.

Na rede pública do Distrito Federal, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são a porta de entrada para o diagnóstico e tratamento do câncer. É nelas que o paciente é avaliado inicialmente e, se necessário, encaminhado para atendimento especializado. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) tem trabalhado para garantir rapidez no acesso ao tratamento, organizando a rede para identificar pacientes na fila e encaminhá-los mais rápido.

O rastreamento é uma estratégia importante no combate ao câncer, pois ajuda a identificar a doença em estágios iniciais, aumentando as chances de cura. Para o câncer de mama, a rede pública recomenda a mamografia a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos, seguindo as orientações do INCA e do Ministério da Saúde. Mulheres a partir dos 40 anos podem fazer o exame após avaliação médica. Já para câncer de próstata, o rastreamento não é indicado rotineiramente para homens sem sintomas, sendo os exames de PSA e toque retal indicados apenas em casos específicos.

A oncologista Gabrielle Scattolin, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), destaca que o câncer geralmente se desenvolve devido a fatores acumulados ao longo da vida. “O câncer não aparece do dia para a noite. Muitas vezes é resultado de fatores que se acumulam ao longo dos anos. O preocupante é que, apesar da informação disponível, muitas pessoas ainda não se cuidam bem e não fazem exames preventivos”, afirma. Ela ressalta que há uma ideia errada de que o câncer é sempre fatal ou apenas genético, quando na verdade muitos casos estão ligados ao estilo de vida.

Fatores como tabagismo, consumo de álcool, alimentação inadequada, falta de atividade física e obesidade contribuem para o aumento dos casos. Gabrielle Scattolin reforça que não adianta ter bons tratamentos se as pessoas chegam tarde para o atendimento. A população precisa entender que é protagonista na prevenção. Estima-se que cerca de 30% dos casos poderiam ser evitados com hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, exercícios e parar de fumar. Ela conclui que o câncer é uma questão social e que, quando a população age de forma preventiva, muitas vidas podem ser salvas.

Saiba mais

Para diminuir o tempo de espera, a Secretaria de Saúde do DF lançou em julho de 2025 o programa “O câncer não espera. O GDF também não”. O programa reduziu em 80% o tempo para a primeira consulta oncológica, que caiu de 81 para 16 dias. O acesso à radioterapia também foi agilizado, com redução de 87 para 26 dias, uma queda de 70%.

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