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domingo, 31/08/2025

Caso de brasileira acusada de levar filhas para Irlanda tem nova decisão

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Raquel Canterelli, uma brasileira que vivia na Irlanda com seu ex-companheiro irlandês e suas duas filhas, Júlia e Isabella, enfrentou uma série de eventos difíceis que culminaram em uma reviravolta judicial sobre a guarda das meninas. Em 2019, Raquel teve seus documentos retidos pelo ex-parceiro, que impedia sua saída da residência onde moravam. Naquele período, a filha mais nova sofreu abuso sexual pelo pai.

Após conseguir voltar ao Brasil em 2023, Raquel teve as filhas retiradas de sua casa no Rio de Janeiro pela Polícia Federal em uma operação baseada em decisão judicial que ordenava o retorno das crianças à Irlanda, onde viviam com o pai. Desde então, ela não tem contato com as filhas.

O episódio da apreensão foi descrito por Raquel como traumático e cruel. Contudo, em 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que as crianças devem retornar ao Brasil, mas a efetivação deste retorno depende das autoridades irlandesas.

Histórico do caso

Raquel e suas filhas residiam na Irlanda, onde ela foi vítima de cárcere privado e as crianças sofreram abusos. Em 2019, com a ajuda da embaixada brasileira, Raquel conseguiu abrigo para si e para as meninas enquanto aguardavam novos passaportes para viagem ao Brasil. Apesar disso, o pai das crianças iniciou um processo na justiça irlandesa que, sem que Raquel pudesse se defender adequadamente, concedeu a guarda unilateral ao pai, que era acusado de abusos contra as filhas.

A justiça brasileira reconheceu a situação de violência e, em setembro daquele ano, Raquel e as meninas conseguiram deixar a Irlanda, passando por várias cidades europeias até chegarem ao Rio de Janeiro, acompanhadas pela Polícia Federal.

Em 2023, as filhas foram retiradas do Brasil pela Polícia Federal antes que os recursos legais fossem completamente analisados, amparados pela Convenção de Haia, que prioriza a custódia em país de residência habitual da criança. O acordo internacional, do qual o Brasil é signatário, trouxe impasses interpretativos que influenciaram o julgamento favorável inicialmente a Raquel, mas revertido em instância superior.

Declarações de Raquel

Raquel revelou que o pai das filhas a acusou formalmente de sequestro internacional. Ela também afirmou ter sido vítima de violência doméstica e que seus relatos foram desacreditados por causa do perfil público do pai, conhecido e respeitado na comunidade irlandesa.

“Eu era uma brasileira, imigrante, sozinha tentando denunciar um homem com família e reputação. Ninguém acreditava em mim”, disse ela em entrevista.

Posição do pai

A defesa do pai das meninas declarou que as acusações de Raquel foram infundadas, utilizadas apenas para justificar sua saída clandestina com as filhas da Irlanda. Eles afirmam que a decisão contrária aconteceu por falta de provas e negam qualquer tipo de violência.

Apesar de os equipamentos eletrônicos do pai terem sido apreendidos para investigação pelas autoridades irlandesas, o caso foi arquivado por ausência de evidências. Segundo sua defesa, Raquel estava livre para viajar, mas escolheu sair com as filhas sem a autorização do pai ou da justiça, configurando uma fuga.

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