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quarta-feira, 28/01/2026

Caps no DF oferecem apoio e independência na saúde mental

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A Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) está pronta para ajudar pessoas com problemas de saúde mental, desde tratamentos básicos até situações de emergência. Entre os serviços oferecidos, os 18 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são essenciais para atender quem sofre de transtornos mentais graves, inclusive aqueles causados pelo uso de álcool ou drogas, em momentos de crise ou durante a recuperação. Esses centros atendem sem necessidade de marcação ou encaminhamento médico.

A psicóloga e supervisora do Caps III de Samambaia, Juliana Neves Batista, ressalta que ainda existe preconceito em buscar ajuda, mas afirma que problemas mentais podem afetar qualquer pessoa nos dias atuais. Ela aconselha procurar assistência o quanto antes para evitar que a situação piore. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) atendem casos leves, enquanto os Caps cuidam de situações mais complexas, funcionando como um apoio entre a atenção básica e os hospitais.

Nos Caps, é muito importante ouvir com atenção o que o paciente tem a dizer para entender suas necessidades e oferecer o cuidado correto. Nem todos os pacientes precisam ficar no centro, isso depende do caso. O atendimento é feito por uma equipe formada por psiquiatras, clínicos, pediatras, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros e farmacêuticos, que trabalham juntos para ajudar o paciente.

Um caso que mostra a importância desse serviço é o da aposentada Marlene Luiza da Cunha, 66 anos, que frequentou o Caps III de Samambaia. Depois de se aposentar, ela enfrentou várias perdas: seu pai em 2015, o marido em 2016, após 31 anos juntos, e a mãe pouco tempo depois. Essas mortes, junto com problemas de saúde que a deixaram internada por muito tempo e dificuldades com burocracias, causaram uma depressão profunda. Marlene se isolou, sentindo-se confusa e cansada, e passou a criar um mundo só dela para se proteger do que achava perigoso fora de casa.

Família e amigos se preocuparam e buscaram ajuda no Caps, que fez uma visita na casa dela. Embora no começo ela tenha ficado reclusa, Marlene percebeu que precisava de ajuda. “Eu não fui ao Caps, o Caps veio até mim”, conta. Depois disso, participar de oficinas e atividades no centro ajudou muito na sua melhora. “Quando não tinha atividades, eu sentia falta. Ao interagir com outras pessoas, minha autoestima voltou e minhas capacidades mentais e físicas melhoraram”, relata.

Hoje, Marlene acredita que está 80% recuperada e agradece a equipe do Caps: “Esse trabalho está me reconstruindo. Tem uma Marlene antes e outra depois do Caps. É um caminho de cura que depende da pessoa, e eu sou muito grata”. Seu depoimento mostra o quanto esses serviços são transformadores, promovendo autonomia e qualidade de vida.

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