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sexta-feira, 13/02/2026

Caos por falta de banheiros no carnaval em regiões com blocos em São Paulo

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ANDRÉ FLEURY MORAES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Durante o Carnaval de 2026, moradores e donos de comércios próximos aos locais onde os blocos se reúnem em São Paulo enfrentam grandes problemas porque as ruas acabam virando banheiros públicos, já que a Prefeitura não oferece estrutura suficiente.

A administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) diz que fez mudanças para melhorar a organização da festa este ano, buscando manter a qualidade que o evento já tem nas edições anteriores.

A Prefeitura afirma que colocou 16 mil diárias de banheiros químicos para os foliões, podendo aumentar esse número se houver necessidade.

Esse número foi determinado após acompanhamento bloco por bloco pela SPTuris, a empresa municipal que organiza o Carnaval de rua na capital.

Reclamações surgem em várias áreas da cidade.

Bianca Perioto, de 46 anos, proprietária de uma empresa de vedação industrial na Santa Cecília, no centro, encontrou fezes na calçada em frente ao seu negócio.

Sua empresa fica na rua Fortunato, uma via que se torna complicada para ela e seus funcionários nos dias de carnaval porque muitas ruas fecham.

“Atendemos muitas indústrias e precisamos descarregar mercadorias e trazer materiais. Mas a rua está fechada e eu não consigo acessar a empresa”, conta.

Problemas parecidos acontecem nas ruas Lavradio e Camaragibe, na Barra Funda, perto do Memorial da América Latina.

O aposentado José Getúlio Maire, 70 anos, diz: “Aqui todo mundo fica na rua. Os homens urinam nas paredes, e as mulheres na praça. É uma bagunça”.

Em alguns dias de bloco, não havia nenhum banheiro químico disponível; em outros, só dois.

Everaldo Oliveira, 38 anos, zelador de um prédio da região, viu essas situações no último fim de semana, durante o pré-Carnaval oficial da cidade.

Ele comenta: “Fica uma bagunça grande. Muito lixo na rua, e o caminhão da Prefeitura não recolhe porque a via está fechada”.

Everaldo revela que para limpar a sujeira teriam que carregar o lixo para outra rua, mas isso não é responsabilidade dele, e sim da Prefeitura.

O mau cheiro da urina piora o cenário, pois foliões fazem suas necessidades nas ruas, calçadas, portões e paredes, e o cheiro até entra nos prédios.

Na região de Perdizes, zona oeste de São Paulo, acontece algo semelhante.

Na rua Ministro Ferreira Alves, onde um bloco se reuniu no último fim de semana, os banheiros químicos estavam nas ruas ao lado.

Sem banheiros no local do bloco, os foliões usaram os banheiros de bares e restaurantes, que ficaram lotados, deixando as ruas sem opções.

O empresário Fábio Mantovani, 50 anos, dono de um restaurante na região, reclama: “Falta estrutura. O bloco é organizado, conversa com moradores e subprefeitura, mas não há banheiros químicos nem pessoal para fazer limpeza eficiente”.

Uma travessa chamada Fernando Fernandieri, que fecha com um portão, vira um banheiro a céu aberto nos dias de bloco.

Fábio diz que essa rua nunca tem zeladoria e que os moradores acabam cuidando dela, pois é um lugar muito ruim e virou o principal banheiro dos foliões.

A situação é preocupante porque esses locais ficam perto de vários restaurantes, o que traz riscos como presença de insetos e sujeira.

Além das críticas à falta de estrutura, o encontro entre dois megablocos, Acadêmicos do Baixo Augusta e o show do DJ Calvin Harris, patrocinado pela Skol, causou tumulto no domingo (8).

Devido à confusão, a Prefeitura proibiu o acesso ao local e acionou um plano de emergência. A Polícia Militar pediu para que as pessoas evitassem a região da Consolação.

No dia seguinte, o prefeito Ricardo Nunes declarou que o final de semana foi um sucesso.

O Ministério Público de São Paulo abriu investigação sobre o caso e recomendou que a Prefeitura implemente medidas para planejar, controlar e fiscalizar melhor o uso das áreas públicas durante o Carnaval de 2026.

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