O dono do canal “Le Lokal”, Owen Cenazandotti, anunciou nesta quinta-feira (28/8) a suspensão das transmissões. Conhecido como Naruto na internet, Owen tomou essa decisão após a morte do seu parceiro e influenciador Raphaël Graven, de 46 anos, também conhecido nas redes como Jean Pormanove ou JP.
A decisão ocorreu depois que a plataforma Kick baniu o canal, que contava com mais de 200 mil inscritos.
Cenazandotti, 26 anos, e Safine Hamadi, 23, compareceram ao funeral de Raphaël Graven na quarta-feira (27), realizado no crematório de Nice, no sul da França. Na ocasião, Cenazandotti postou uma foto ao lado de Hamadi e da mãe de Graven em seu Instagram.
No Instagram, Owen Cenazandotti deixou uma mensagem de despedida: “Através de nossas memórias, nossos risos, nossos encontros e todas as histórias que foram vividas aqui, o Lokal permanecerá vivo nos corações e lembranças de cada um. Obrigado a todos que fizeram deste espaço um lugar de compartilhamento, solidariedade e vida”.
Ele complementou após o funeral: “Anunciamos o fim do canal. ‘Le Lokal’ encerra suas atividades com JP, mas nunca desaparecerá totalmente”.
Morte trágica
Raphaël Graven faleceu durante uma transmissão ao vivo na plataforma australiana Kick, após mais de 12 dias de live contínua.
Nos vídeos, Jean Pormanove aparecia ao lado de outro homem sendo agredido, humilhado, insultado, espancado e atingido por bolas de tinta lançadas por Owen Cenazandotti e Safine Hamadi. Ambos afirmam que tudo foi roteirizado.
Uma perícia realizada recentemente indicou que a causa da morte de Raphaël Graven foi médica ou toxicológica. O laudo definitivo ainda não foi divulgado.
A transmissão partiu de Contes, próximo a Nice, onde fica a empresa Le Lokal, de Cenazandotti.
Investigações na França
A morte do influenciador levantou preocupações das autoridades francesas.
A ministra para Assuntos Digitais da França, Clara Chappaz, revelou que no momento da morte Jean Pormanove havia arrecadado cerca de 36 mil euros (aproximadamente R$ 227 mil).
Clara Chappaz informou que abriu uma ação judicial contra a plataforma Kick por não impedir a divulgação de conteúdo perigoso, baseando-se em uma lei francesa de 2004 que permite ações para evitar danos causados pela circulação online de material nocivo.
O Ministério Público de Paris também iniciou uma investigação rápida para apurar a real causa da morte.
Contexto do caso
Em dezembro de 2024, o site francês Médiapart publicou uma investigação que apontava que o canal promovia um verdadeiro “negócio de abuso online”.
Segundo a reportagem, Safine Hamadi e Owen Cenazandotti eram retratados como criminosos digitais, submetendo Graven a humilhações, tapas e outros tipos de abuso, tudo exibido para os seguidores do canal, o que gerava considerável lucro para os produtores.
Videos com Jean Pormanove foram alvo de investigação por “violência coletiva intencional contra pessoas vulneráveis”. Em janeiro, Cenazandotti e Hamadi foram detidos, mas liberados sem acusações formais.