As secretarias de Saúde das cidades estão promovendo campanhas para evitar que pessoas busquem atendimento nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) sem necessidade real, apenas para conseguir atestados médicos para justificar faltas ao trabalho.
Essas campanhas informam, por meio de banners nas entradas das UPAs, quando um atestado deve ser emitido, e reforçam as regras para os médicos que concedem esses documentos.
O Ministério da Saúde explicou que essas ações são independentes da pasta, mas que as cidades podem fazer esse tipo de campanha. Exemplos foram vistos em cidades como Curitiba (PR), Cuiabá (MT), Chapecó (SC) e Fazenda Rio Grande (PR). Essas iniciativas provocaram uma queda no número de usuários nas UPAs.
Os prefeitos de Chapecó e Cuiabá se manifestaram sobre o assunto nas redes sociais. João Rodrigues, prefeito de Chapecó, comentou ironicamente sobre a busca por atestados desnecessários. Ele ainda disse que o objetivo é liberar espaço para quem precisa de atendimento urgente.
Em Chapecó, a campanha começou em novembro de 2025. A prefeitura disse que, de agosto a outubro de 2025, foram emitidos 43.044 atestados, enquanto de novembro de 2025 a janeiro de 2026, esse número caiu para 13.175. A campanha busca garantir que o atestado seja dado apenas quando houver real incapacidade para o trabalho, combatendo atestados falsos ou excessivos.
Já em Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini afirmou que há uma cultura de uso indevido dos atestados. Pessoas procuram os pronto atendimentos apenas para conseguir o documento, prejudicando o atendimento aos casos graves. A secretaria de Saúde local percebeu uma redução nas ocorrências de pacientes pouco urgentes, principalmente às segundas-feiras.
O levantamento demonstrou que havia uma grande procura por atestados, especialmente às segundas-feiras, o que atrapalhava os casos urgentes. Cuiabá conta atualmente com uma Policlínica e quatro UPAs.
Outras cidades do Paraná, como Curitiba, Fazenda Rio Grande, Londrina e Foz do Iguaçu, também adotaram campanhas semelhantes. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) emitiu uma recomendação para esclarecer as normas para emissão de atestados.
O atestado é um documento médico que pode ser emitido somente por um profissional registrado após avaliação clínica. As prefeituras garantem que não interferem na autonomia médica. Para o presidente da Associação dos Médicos do Paraná, José Fernando Macedo, a iniciativa é positiva e respeita os profissionais. Ele destaca que o atestado é um ato sério e deve ser dado após exame do paciente.
Em Curitiba, a campanha de atestados conscientes começou em outubro de 2025. As mensagens informam que atestados são emitidos apenas para pacientes internados ou com doenças que justifiquem afastamento do trabalho. Em dezembro de 2025, a campanha foi ampliada para as unidades básicas de saúde.
Relatos apontam que muitos pacientes desistiram do atendimento ao verem as informações da campanha. A prefeitura registrou uma queda de 43% na emissão de atestados nas UPAs entre outubro e novembro de 2025 comparado ao mesmo período do ano anterior.
Em Fazenda Rio Grande, que tem uma única UPA, a campanha também mostrou resultados positivos com queda significativa nos atestados emitidos desde o início da ação. Médicos só podem emitir atestado quando há internação ou doença que justifique afastamento do trabalho.
