O programa Caminhos da Reportagem, exibido na TV Brasil, traz o episódio ‘A nova roupa do machismo’, que aborda as formas de ódio digital contra mulheres, incluindo memes, ameaças, vazamento de informações pessoais e deepfakes pornográficos. Esse conteúdo reflete e intensifica o machismo na sociedade, gerando engajamento e lucro para os responsáveis e plataformas digitais. O episódio estreia nesta segunda-feira (9), às 23h.
Em 2025, o Brasil teve recordes em feminicídio, com a morte de quatro mulheres por dia, conforme dados do Ministério de Justiça e Segurança Pública. Mesmo sem uma ligação direta comprovada, a violência de gênero aumentou tanto na internet quanto na vida real.
Um estudo da Desinfo.pop, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), analisou 85 grupos virtuais de ódio e apontou um crescimento quase 600 vezes maior de conteúdos misóginos entre 2019 e 2025. A pesquisadora Julie Ricard destaca que muitos homens se sentem ameaçados pela ascensão das mulheres no poder e agem acreditando que estão protegendo algo.
A musicista Bruna Volpi, entrevistada no programa, sofreu ataques verbalizando críticas ao comportamento masculino nas redes. Ela recebeu ameaças de um executivo que possuía seus dados pessoais. “Um homem que se ofende porque digo que merecemos viver é um perigo para a sociedade”, comenta.
A Safernet registrou 220% de aumento nas denúncias de crimes online por misoginia entre 2024 e 2025. A escritora Márcia Tiburi aponta que as mulheres rejeitam o papel imposto pelo patriarcado, o que é interpretado como uma agressão à masculinidade.
Lola Aronovich, alvo de ataques há mais de 15 anos pelo seu blog feminista, teve seus dados vazados em um site difamatório. Dois homens foram condenados, e um está cumprindo 41 anos de prisão pelo primeiro caso de terrorismo digital no Brasil. Isso levou à criação da Lei 13.642/2018, a Lei Lola, que confere à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos.
O delegado Flávio Rolim, coordenador de Combate a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal, explica que esses atos normalizam a violência e incentivam práticas extremas contra mulheres, como homicídios e estupros.
A Meta, que controla Facebook, Instagram e Threads, modificou suas políticas em janeiro para permitir acusações relacionadas a “anormalidade mental” sobre gênero ou orientação sexual, reduzindo a moderação em temas de minorias, segundo Julie Ricard. “O ódio gera engajamento e mantém as pessoas conectadas”, conclui.
No Brasil, ainda não existem leis específicas contra a misoginia. Mulheres em áreas dominadas por homens, como a gamer Layze Pinto Brandão (Lahgolas) e a narradora esportiva Luciana Zogaib, enfrentam discurso de ódio. “Ter uma lei ajudaria; faria a pessoa pensar duas vezes antes de agir, especialmente os valentões que se acham acima da lei”, comenta a gamer.
*Informações da Agência Brasil
