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sábado, 14/03/2026




Caminhoneiros dizem não à greve nacional por causa do aumento do diesel; ANTB organiza protesto na Bahia

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Representantes dos caminhoneiros independentes afirmam que não haverá uma greve em todo o país devido ao aumento do preço do diesel, que tem afetado os custos da profissão. A ideia da greve surgiu entre grupos de caminhoneiros após o preço do óleo diesel subir bastante, motivado pelo aumento do preço do petróleo por causa do conflito no Oriente Médio. Porém, a maioria dos caminhoneiros não concorda com a paralisação, pois temem prejuízos econômicos e impactos negativos para a população, segundo apuração do Broadcast Agro.

Uma parte dos caminhoneiros planeja uma paralisação no porto de Salvador por 24 horas a partir desta madrugada, com apoio da Associação Nacional do Transporte Autónomo do Brasil (ANTB). Ainda assim, várias associações que representam os transportadores independentes rejeitam esse movimento. Entre as entidades que negam apoio à greve estão a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), a Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac), a Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Carga em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens-SP) e o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam-Santos).

A ANTB afirma que a paralisação em Salvador tem duração prevista de 24 horas, mas poderá durar mais tempo se as reivindicações não forem atendidas. O motivo da mobilização é uma nova regra para triagem de cargas no porto, que exige que o motorista leve a mercadoria do contêiner até o setor de triagem, aumentando o trajeto em 10 a 15 quilômetros, além de ter que esperar para descarregar a mercadoria. Caminhoneiros da região são contrários a essa medida, que pode aumentar o tempo de espera no porto.

O presidente da ANTB, José Roberto Stringasci, divulgou nas redes sociais um vídeo convocando os transportadores para a paralisação e alertando sobre os impactos nas operações de carga e descarga no porto. Ele afirmou: “Os caminhoneiros não aguentam mais. Essa é a única alternativa que nós temos”.

José Roberto Stringasci também informou que as reivindicações incluem o julgamento da constitucionalidade da lei do piso mínimo do frete rodoviário pelo Supremo Tribunal Federal, que dará respaldo às fiscalizações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mudanças na política de preços dos combustíveis da Petrobras e a isenção de pedágio para caminhões com eixo suspenso quando sem carga. Ele destacou a preocupação com os altos preços do diesel, que já ultrapassam R$ 8 o litro na região.

O presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão, negou a participação de caminhoneiros na greve e alertou para a irresponsabilidade de uma paralisação nacional neste momento. Ele disse que a categoria está buscando medidas junto ao governo federal, como redução do ICMS do diesel e do valor dos pedágios, e que uma greve agora poderia causar grande desordem no país. Segundo Chorão, o risco maior é que o transporte pare devido à falta de combustível, já que distribuidoras têm reduzido entregas e postos já registram falta de diesel.

Wallace Landim ainda afirmou que, nos últimos dez dias, o preço do diesel aumentou cerca de 25% a 26%, o que tem sido muito prejudicial para os caminhoneiros, especialmente no momento de escoamento da safra no Centro-Oeste.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos de Cargas (Conftac) declarou em nota que não há indicação de paralisação da categoria e classifica os rumores como especulação. A entidade reafirma seu compromisso com o diálogo e a estabilidade no transporte de cargas no Brasil.

No porto de Santos, os caminhoneiros planejam uma reunião para o dia 16 a fim de discutir a situação atual, incluindo o aumento do diesel, buscando uma solução conjunta. Luciano Santos, presidente do Sindicam-Santos, afirmou que uma manifestação acontecerá apenas em último caso. O diretor-presidente do CNTRC, Plínio Dias, afirmou que a categoria busca medidas estruturantes além da questão do preço do diesel.

Apesar disso, as entidades reconhecem que líderes mais radicais da categoria podem organizar ações localizadas ou regionais.

Estadão Conteúdo




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