A Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene em celebração ao Dia Internacional da Síndrome de Down, ressaltando a importância da inclusão social e o combate à exclusão. O evento enfatizou a necessidade de ampliar oportunidades e combater a solidão enfrentada por pessoas com deficiência intelectual.
Com o tema “Amizade, acolhimento e inclusão: Xô solidão”, parlamentares e membros da sociedade civil defenderam políticas que promovam autonomia e participação social para esses cidadãos.
Erika Kokay, deputada e autora do pedido da sessão, afirmou que uma sociedade só é verdadeiramente democrática quando valoriza a diversidade. Ela destacou que a inclusão começa com a convivência e o respeito às diferenças, e que é fundamental uma sociedade acessível em aspectos emocionais, comportamentais e estruturais.
O foco deste ano é superar a solidão, um desafio que afeta especialmente pessoas com deficiência intelectual em várias fases da vida.
Cleonice Bonda de Lima, presidenta da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, comentou que a falta de interação social é uma das maiores barreiras para a inclusão. Ela explicou que o lema da ONU foi adaptado para “Xô solidão”, pois a acolhida e a participação social são essenciais para evitar o isolamento desses indivíduos.
Embora 92% das pessoas com deficiência estejam matriculadas em classes regulares, ainda faltam recursos e tecnologias assistivas adequadas nas escolas.
O ativista Michel Platini, do Centro de Direitos Humanos, criticou a ausência de monitores especializados nas escolas do Distrito Federal, o que dificulta o aprendizado e a inclusão de estudantes com autismo e síndrome de Down. Ele ressaltou que sem esse suporte, a inclusão não se efetiva e o futuro dessas pessoas fica comprometido.
A sessão contou com forte participação de pessoas com síndrome de Down, que ocuparam a mesa principal do plenário. Matheus Humberto, de 20 anos, compartilhou sua experiência escolar, destacando a importância da persistência e da busca por oportunidades para além do afeto.
Gustavo Façanha, formado na área de eventos, lembrou que todos enfrentamos limitações, e que o que faz falta são chances reais e políticas públicas que promovam o apoio necessário.
O esporte também foi destacado como meio de integração social. A equipe de futsal Down do Distrito Federal, recentemente campeã de torneio interestadual, foi homenageada. O capitão Fernando Tocantins, conhecido como Dinho, elogiou o empenho dos professores e a dedicação da equipe para alcançar a vitória.
Na área cultural, Janaína Parente, presidenta do Instituto Apsdown, convidou a todos para o Festdown, evento inclusivo que será realizado na Biblioteca Nacional em Brasília. Ela enfatizou a necessidade de combater o capacitismo, superando visões que veem a diversidade como um fardo e negando espaço às pessoas com deficiência.
