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quinta-feira, 12/02/2026

Cabeça de homem absolvido no caso Araceli é encontrada após confissão

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

Um homem suspeito de matar e decapitar Dante Brito Michelini, 76 anos, em um sítio de Guarapari (ES), foi preso nesta quarta-feira (12) pela polícia. A cabeça do Dante, que não foi encontrada no local do crime, também foi recuperada.

O suspeito, de 29 anos, estava escondido e dormia no sítio do Dante, mas foi descoberto e expulso a pauladas pelo dono do sítio. Essa expulsão teria feito com que ele se tornasse motivo de chacota na vizinhança e teria motivado o crime, segundo a polícia.

“Segundo o interrogatório, ele ficou muito irritado por ter sido agredido pela vítima. Ele apanhou com uma paulada e virou motivo de zombaria na região porque disseram que ele havia apanhado de uma pessoa acusada de estupro. Isso gerou muita raiva nele”, disse Franco Malini, chefe do DHPP de Guarapari.

A polícia acredita que o crime aconteceu entre os dias 19 e 20 de janeiro. O corpo foi encontrado somente em 3 de fevereiro, já em estado avançado de decomposição.

O criminoso tinha sido preso por outro crime antes do corpo do Dante ser encontrado. Segundo o delegado José Darcy Arruda, o suspeito foi detido em 28 de janeiro por descumprir uma medida protetiva.

O homem teria confessado o assassinato de forma inesperada, ao ser levado para prestar depoimento nesta semana. A polícia acredita que ele seja o autor do crime, pois forneceu muitos detalhes sobre o estado da casa e do corpo do Dante.

Além disso, o suspeito indicou onde jogou a cabeça do Dante, em um canal no centro de Guarapari. Ele contou que amarrou a cabeça com pedras para que ela afundasse.

A cabeça foi encontrada a quatro metros de profundidade. Na noite desta quarta-feira, os bombeiros continuavam procurando a arma do crime, que, segundo o suspeito, também foi jogada no canal.

O nome do homem preso não foi divulgado. A polícia informou que ele era da Bahia e chegou à região de Guarapari no início do verão, no final de 2025. Ele vivia fazendo trabalhos informais na região.

O caso é considerado encerrado pela polícia, que espera que o suspeito responda por homicídio e ocultação de cadáver.

Relembre o Crime

O corpo do Dante foi encontrado decapitado e carbonizado dentro do sítio onde morava, em 3 de fevereiro. Um vizinho chamou a Polícia Militar porque não via o dono do sítio há algum tempo e percebeu sinais de destruição no local.

Dantinho, como era chamado pela família, vivia recluso desde a morte do pai, Dante Barros Michelini, informou um advogado. Em nota enviada ao UOL, Adir Rodrigues Silva Junior, representante de um dos irmãos de Dante, afirmou que a família aguardava o andamento das investigações policiais.

A família afirmou que não havia qualquer indício de que Dante sofria ameaças. O caso está sendo investigado pelo DHPP de Guarapari.

Relembre o Caso

A menina Araceli Cabrera Crespo desapareceu ao sair da escola em maio de 1973. Ela tinha oito anos e morava em Vitória.

O corpo dela foi encontrado seis dias depois, abandonado em um matagal. A polícia concluiu que ela foi drogada, estuprada, assassinada e carbonizada.

Dois herdeiros de famílias influentes do Espírito Santo foram acusados pelo crime contra a menina. Além do Dante, Paulo Constanteen Helal também foi julgado e inicialmente condenado.

Após a condenação, a família entrou com recurso e Dante e Paulo foram absolvidos. Na época, as famílias dos envolvidos foram acusadas de usar influência para atrapalhar as investigações. O crime ocorreu durante o auge da ditadura militar no Brasil.

Depois da absolvição, o caso ficou sem solução e prescreveu em 1993. Em 2023, o estado brasileiro foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos pela falta de resolução do crime. A OEA pediu que funcionários do estado envolvidos na investigação fossem punidos.

O dia do desaparecimento da menina se tornou o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O governo do Espírito Santo criou, em 2023, uma lei chamada “Alerta Araceli”, que obriga autoridades a emitir alerta emergencial em casos de desaparecimento de crianças ou adolescentes no estado.

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