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Economia

BTG e J&F buscaram segurança jurídica para reduzir risco na compra de ativos do Master

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

GUILHERME PIMENTA e JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, informou à Polícia Federal que, em outubro de 2025, o BTG Pactual solicitou ao Banco Central uma carta de garantia para a compra de ativos do Banco Master. A solicitação foi similar à que a J&F fez na compra da Korv Seguradora.

De acordo com Aquino, o BTG queria evitar que a operação fosse contestada no futuro como uma fraude, caso o banco de Daniel Vorcaro fosse liquidado. O Banco Master acabou sendo liquidado no mês seguinte, no mesmo dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal.

O depoimento de Aquino faz parte de uma investigação aberta no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ocasião, Paulo Sérgio Souza, então diretor de Fiscalização, que também é investigado por supostamente ajudar o Master, consultou a área técnica do Banco Central sobre a possibilidade de emitir essa carta para o BTG, baseada em um modelo semelhante ao enviado para a J&F.

Esse acontecimento ocorreu no momento em que a situação financeira do Master estava se deteriorando e Vorcaro tentava vender ativos do banco. Tanto a J&F quanto o BTG demonstraram interesse em adquirir partes do grupo.

A J&F, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, comprou a seguradora através do PicPay, enquanto o BTG adquiriu outros ativos em operações que somavam cerca de R$ 1 bilhão nesse período.

Segundo o depoimento, a compra mencionada em outubro de 2025 seria a segunda do BTG envolvendo ativos do Master. O banco procurou o Banco Central para obter segurança jurídica, com receio de que numa eventual liquidação, a compra fosse contestada pelos responsáveis pela massa liquida.

Quando perguntados, o BTG informou que não comentaria o assunto, a assessoria da J&F não respondeu, e o Banco Central também não se manifestou.

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, encerrando suas atividades e assumindo o controle dos negócios remanescentes.

Vorcaro, que liderava o grupo, tornou-se o foco principal das investigações da Polícia Federal, sendo investigado sob suspeita de vender carteiras de crédito falsas ao banco estatal BRB de Brasília.

Os investigadores também apuram suspeitas de que Vorcaro desviou recursos do banco para contas pessoais e familiares, deixando um rombo superior a R$ 50 bilhões em CDBs emitidos no mercado.

No período da liquidação, o Banco Central já monitorava a situação do Master há meses. O banco tentou uma fusão com o BRB, que foi barrada pelo Banco Central.

A crise do Master se agravou justamente quando buscava formas de captar recursos e diminuir a exposição a certos ativos, e nesse cenário surgiram os interessados na compra das partes do banco.

O depoimento de Ailton de Aquino esclarece o motivo do BTG ter buscado o Banco Central. A carta de conforto é um documento emitido para dar segurança a um parceiro comercial sobre a situação financeira de uma empresa, sem ser uma garantia financeira.

Esse documento não autoriza a compra dos ativos, mas ajuda a diminuir o risco de que a operação seja considerada irregular em caso de liquidação do banco Master.

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