ALÉXIA SOUSA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
A 17ª Cúpula do Brics, reunindo líderes de mais de 20 países, transformou o Rio de Janeiro em uma área de segurança máxima entre os dias 5 e 8 de julho. O evento principal ocorre no MAM (Museu de Arte Moderna), localizado no Aterro do Flamengo, onde estão sendo usados caças equipados com mísseis, atiradores de elite e bloqueios em ruas estratégicas da cidade.
Com mais de 20 mil agentes das Forças Armadas e das forças de segurança estaduais, a operação altera significativamente a rotina, principalmente nas regiões sul e central do Rio. Diversas vias estão interditadas, o acesso a bairros como Copacabana e Flamengo está restrito, e o aeroporto Santos Dumont ficou fechado temporariamente nos dias 6 e 7 de julho.
O presidente Lula assinou o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autoriza a ação, que teve início em 2 de julho e vai até o dia 9 do mesmo mês. Durante os momentos de pico, o tráfego aéreo no Santos Dumont foi suspenso e os passageiros desviados para o aeroporto do Galeão, devido à proximidade do evento e às medidas de segurança aérea.
As companhias aéreas estão ajustando seus voos, enquanto o entorno do Galeão recebeu reforço policial e possibilidade de bloqueios nas principais vias como Linha Vermelha e avenida Brasil. O deslocamento das autoridades está planejado por terra, ar e mar, com soldados posicionados em pontos chave como avenida Atlântica e Aterro do Flamengo, com grades de contenção instaladas e controles de acesso funcionais 24 horas em locais como Copacabana.
Para a segurança dos chefes de Estado, foram implementadas áreas de exclusão aérea monitoradas por aviões-radar E-99M e caças armados. Caso aeronaves não autorizadas entrem nessas zonas, podem ser abatidas por ordem do presidente da República ou do comandante da Força Aérea. Esse tipo de defesa foi usado anteriormente apenas durante a Olimpíada Rio 2016.
Além disso, equipamentos antidrone e atiradores de elite posicionados em prédios próximos ao MAM e ao trajeto das comitivas reforçam a proteção. A Marinha também patrulha a Baía de Guanabara, incluindo a proteção de infraestruturas sensíveis, como cabos submarinos de telecomunicação.
O governo do Estado mobilizou cerca de 17 mil policiais civis e militares para atuar em conjunto com as Forças Armadas, utilizando programas de segurança integrada com câmeras de reconhecimento facial, leitura de placas, drones e helicópteros. O Centro Integrado de Comando e Controle Móvel está instalado próximo ao MAM e o Comitê Executivo de Segurança Integrada Regional opera na Praça Onze.
A Polícia Civil montou uma Central de Flagrantes extraordinária com reforço em inteligência, perícia e equipes multilíngues para atuar em eventuais emergências. A chegada das delegações começou a movimentar a cidade já no dia 3 de julho, com eventos de negócios e reuniões ministeriais no centro e na orla, gerando bloqueios e escoltas nessas áreas.
A cúpula principal ocorreu nos dias 6 e 7, no MAM, com um encontro complementar de jovens líderes realizado no Palácio do Comércio. Para facilitar a operação, a prefeitura decretou ponto facultativo e feriado municipal, recomendando que a população evite circular nas áreas restritas.
A avenida Atlântica, em Copacabana, foi interditada em ambos os sentidos do final de sábado até o fim da segunda-feira com controle de acesso restrito a moradores. Ruas adjacentes também tiveram bloqueios e a orla da Zona Sul e o Aterro do Flamengo estiveram fechados para uso recreativo durante esses dias.
