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sexta-feira, 03/04/2026

BRB pode usar linha de crédito do Banco Central para fortalecer caixa

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Em Brasília

ADRIANA FERNANDES E NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Banco de Brasília (BRB) está considerando utilizar uma linha especial de crédito oferecida pelo Banco Central para reforçar seu caixa, devido a dificuldades financeiras causadas por problemas com operações relacionadas ao Banco Master.

Essas linhas especiais, conhecidas como Linhas Financeiras de Liquidez (LFL), ainda não foram usadas pelo BRB. Elas funcionam como empréstimos garantidos por diversos ativos financeiros, como títulos de empresas e outros ativos que o banco possui. Juros e pagamentos desses títulos são mantidos em uma conta de garantia no Banco Central.

Fontes próximas ao assunto informaram que o BRB está buscando a aprovação para que suas carteiras de crédito possam servir como garantia para acessar esse tipo de linha, podendo conseguir até cerca de R$ 300 milhões.

Para usar essas linhas, os ativos dados como garantia precisam estar registrados em sistemas oficiais que controlam esses valores financeiros.

Desde julho de 2024, o Banco Central também aceita Cédulas de Crédito Bancário (CCB) como garantia, que são documentos que comprovam empréstimos para empresas. Nesse caso, os juros e pagamentos ficam no próprio banco, sem necessidade de serem depositados como garantia no Banco Central.

O BRB enfrenta dificuldades de liquidez após a revelação de que comprou carteiras de crédito sem lastro, no valor de R$ 12,2 bilhões, do Banco Master, o que comprometeu a confiança no banco.

As perdas não foram completamente cobertas pelos ativos recebidos, muitos dos quais eram de baixa qualidade.

Para melhorar a situação financeira, o BRB está vendendo partes dessas carteiras de crédito para instituições privadas.

Bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, não receberam autorização do governo para comprar essas carteiras.

No dia 30 de outubro, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, conversou com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre a crise financeira do BRB. Segundo o ministro, não há apoio para a federalização do banco, mas a Caixa e o Banco do Brasil podem adquirir ativos do BRB.

Para o BRB, ter acesso a essa linha de crédito do Banco Central seria uma forma de conseguir recursos a um custo menor comparado a operações com outros bancos.

O banco está negociando essa possibilidade de forma confidencial, buscando um custo de captação compatível com suas diretrizes financeiras.

A linha de crédito poderá ser utilizada gradualmente, com garantias das carteiras de crédito do banco.

O BRB não comentou oficialmente sobre essas negociações.

Todo banco tem um limite para uso dessas linhas financeiras, que pode ser aumentado mediante autorização da diretoria do Banco Central.

Até o momento, o BRB já possui linhas abertas com bancos privados, garantindo liquidez para cumprir seus compromissos durante essa crise.

O banco ainda precisa de um aporte de capital, que deve ser feito pelo governo do Distrito Federal, controlador do BRB. O presidente do banco afirmou que esse aporte será realizado até 30 de maio, antes do prazo limite definido pelo Banco Central, que é 5 de agosto.

Se não cumprir as regras do Banco Central, o BRB pode enfrentar penalidades severas. A situação do banco complicou-se ainda mais após o adiamento da divulgação do balanço de 2025, que deveria ter sido publicado até 31 de outubro.

O BRB convocou uma assembleia geral extraordinária para o dia 22 de abril para votar uma proposta de aumento do capital social do banco. A proposta prevê um aporte de até R$ 8,817 bilhões, com uma subscrição mínima de R$ 536 milhões.

Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,344 bilhões. Com o valor mínimo da subscrição, o capital aumentaria para R$ 2,88 bilhões; com o máximo, subiria para R$ 11,161 bilhões.

Serão emitidas até 1,083 bilhão de ações ordinárias e 561,87 milhões de ações preferenciais, todas sem valor nominal. O preço de emissão será de R$ 5,36 por ação.

Essa oferta de ações será feita via subscrição privada, disponível apenas para acionistas atuais do BRB.

Segundo a proposta, os recursos do aumento de capital serão usados para reforçar o patrimônio e atender às exigências regulatórias de capital do banco.

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