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sábado, 24/01/2026

Brb garante estabilidade e busca empréstimo para cobrir perdas

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Em Brasília

ADRIANA FERNANDES, BRUNO BOGHOSSIAN E MARIANA CARNEIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, garantiu que o banco público do Distrito Federal está estável e não sofrerá falência ou intervenção pelo Banco Central.

Souza assumiu o BRB em 26 de novembro, após a saída de Paulo Henrique Costa, que foi afastado e demitido devido a uma investigação da Polícia Federal.

De acordo com a PF e o Banco Central, sob a administração de Costa, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados ligados ao banco Master. Além disso, o BRB passou a controlar fundos relacionados à operação financeira investigada.

Em sua primeira entrevista, o novo presidente destacou que a população de Brasília considera o banco um símbolo, e que o governo do Distrito Federal fará os aportes necessários para cobrir as perdas.

“O BRB não vai quebrar, não haverá intervenção ou liquidação”, afirmou Souza durante entrevista na sede do banco, após uma semana conturbada com instabilidade política e retirada incomum de depósitos entre segunda e quarta-feira.

A situação se normalizou, com entrada líquida de recursos superior em mais de R$ 2 bilhões aos saques, contando ainda com o apoio de bancos privados.

Souza confirmou que o BRB está negociando um empréstimo emergencial com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cumprir exigências do Banco Central.

“Somos associados ao FGC e todos os bancos que precisam de capital recorrem primeiramente a ele, que oferece taxas de juros mais baixas e prazos longos para financiamento”, explicou. Para obter o empréstimo, o governo do Distrito Federal, controlador do banco, deverá oferecer garantias, como ações de suas estatais.

Espera-se que o empréstimo seja liberado ainda no primeiro trimestre para atender a necessidade de provisionamento de R$ 2,6 bilhões indicada pelo Banco Central, devido às perdas com a compra dos créditos falsos. O prazo permitirá o ajuste do balanço de 2025, atendendo aos requisitos de divulgação para empresas com capital aberto, como o BRB.

Outras alternativas de socorro financeiro estão sendo avaliadas, sem detalhes divulgados, incluindo repasses diretos do Tesouro do DF e minoritários, formação de fundos com imóveis do governo do DF, transferência de ações de empresas estatais e empréstimos junto a consórcios bancários.

Independentemente da opção, o governador Ibaneis Rocha precisará encaminhar projeto à Câmara Legislativa para aprovação do aporte financeiro.

Na semana anterior, Souza esteve em São Paulo para reuniões com o FGC e demais grandes bancos privados, como Bradesco, Caixa, BTG, Itaú Unibanco, Inter, XP e C6, que demonstraram apoio. Os bancos do setor público, Banco do Brasil, BNB e Basa, foram exceção.

O Banco Central determinou que o BRB faça uma reserva financeira de R$ 2,6 bilhões para cobrir prejuízos relacionados à compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master, descobertas nas investigações que resultaram na liquidação do banco Master e na prisão do seu proprietário, Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado.

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