NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O Banco de Brasília (BRB) anunciou nesta terça-feira (7) que terminou a auditoria que investigou a operação envolvendo o Banco Master e enviou o relatório final para a Polícia Federal para que possam tomar as providências necessárias.
A auditoria foi realizada pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da Kroll, e focou na segunda fase da análise do processo de compra e substituição das carteiras adquiridas pelo BRB do grupo de Daniel Vorcaro.
Na primeira etapa, a auditoria identificou uma sobreposição de nomes e fundos que participaram da compra de ações do BRB com aqueles envolvidos na fraude da compra de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões.
Em comunicado oficial, o BRB informou que a comissão independente de investigação recebeu o relatório final, que contém as conclusões do trabalho realizado, e enviou o documento à Polícia Federal para que, se houver evidências, sejam adotadas as medidas cabíveis.
O BRB reafirmou seu compromisso com a transparência, governança corporativa e com a prestação adequada de informações ao mercado, respeitando os deveres de sigilo legal e proteção das informações confidenciais essenciais para proteger os interesses da empresa e garantir a condução correta dos procedimentos necessários.
Em fevereiro, o banco divulgou que encontrou informações relevantes na primeira fase da auditoria e entregou o relatório preliminar tanto à Polícia Federal quanto ao Banco Central para que investigassem possíveis atos ilícitos.
Conforme divulgado pela Folha, na primeira fase do relatório, a auditoria levantou suspeitas sobre a atuação de antigos gestores do banco do Distrito Federal, incluindo o ex-presidente Paulo Henrique Costa.
Chamou atenção o fato de que Vorcaro, dono do Master, Maurício Quadrado, seu antigo sócio, e João Carlos Mansur, da administradora de fundos Reag, tenham se tornado acionistas do BRB de maneira oculta, por meio de fundos de investimento, enquanto o BRB aumentava seu capital em 2024, arrecadando R$ 1 bilhão com ofertas de ações.
Esses fatos levantaram a suspeita dos investigadores de que o aumento do patrimônio do BRB por meio da oferta de ações tinha como objetivo ampliar a capacidade do banco de fazer negócios com o Master.
O material da auditoria serviu como base para o inquérito da Polícia Federal que investiga se a antiga gestão do BRB tinha conhecimento de quem estava por trás dos fundos e se agiu para que as pessoas envolvidas na operação Compliance Zero se tornassem acionistas do banco. A investigação apura também se houve crime de gestão fraudulenta e temerária da instituição financeira.
Procurado na época, o ex-presidente do BRB não comentou a suspeita. Segundo relatos, Costa considerava a acusação injusta e afirmava que desconhecia a estrutura dos beneficiários finais até a homologação do processo pelo Banco Central em abril de 2025.

