NATHALIA GARCIA E THAÍSA OLIVEIRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O BRB (Banco de Brasília) vai apresentar nesta sexta-feira (6) ao Banco Central um plano para recuperar as perdas causadas por operações com o Banco Master. Caso o plano seja aprovado, a instituição financeira do Distrito Federal terá até 180 dias para executá-lo.
Para atender às exigências de capital, o BRB pretende apresentar ao Banco Central mais de uma alternativa. Atualmente, estão sendo consideradas pelo menos cinco opções diferentes.
Uma das principais propostas estudadas é uma linha de empréstimo emergencial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com ativos oferecidos como garantia pelo governo do Distrito Federal, que controla o BRB. Essa medida precisa da aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Outra ideia em discussão é criar um fundo com imóveis pertencentes ao governo do Distrito Federal, que seriam transferidos para o BRB, além da possibilidade de transferir ações de empresas estatais, como a CEB Ipes, responsável pela iluminação pública.
Na semana passada, associações da construção civil e do mercado imobiliário do DF manifestaram apoio ao BRB, destacando que o banco lidera com 62,8% de participação no mercado e é essencial nas políticas de moradia da região.
De forma reservada, representantes do setor e parlamentares confirmam que a criação do fundo imobiliário tem ganhado força recentemente. Para aumentar o valor dos ativos, pode-se incluir o prédio Centrad, fechado há 12 anos, originalmente construído para a sede do governo local, além de grandes áreas, em vez de pequenos lotes distribuídos por várias regiões administrativas.
Outras opções para cobrir as perdas do BRB incluem repasses diretos do Tesouro do Distrito Federal e dos investidores minoritários, além de um empréstimo concedido por um consórcio bancário.
Deputados da base do governador Ibaneis Rocha (MDB) reconhecem a complexidade do problema, mas destacam que o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, mantém uma postura otimista.
Esta semana, Nelson esteve em São Paulo tentando negociar ativos adquiridos do Banco Master.
Em sigilo, parlamentares indicam que a lista de estatais disponíveis é limitada. A parte mais lucrativa da CEB (Companhia Energética de Brasília) foi privatizada em 2020 e se tornou a Neoenergia. Já a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) não possui ações negociadas em bolsa.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, a primeira após assumir a presidência do BRB, Nelson afirmou que o banco é um símbolo para a população de Brasília e garantiu que o governo do Distrito Federal fará a capitalização necessária para cobrir as perdas. “O BRB não vai quebrar, não vai ter intervenção, não vai ter liquidação”, assegurou.
O secretário de Economia do DF, Daniel Izaías de Carvalho, também ressaltou o papel social do BRB e afirmou que o governo tem patrimônio e disposição para ajudar a instituição se for preciso.
“O Distrito Federal tem ativos suficientes para atender a uma necessidade de aporte de capital,” disse ele. “Tem condições de se organizar para socorrer o banco caso seja necessário.”
Sob a gestão de Paulo Henrique Costa, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do Banco Master, segundo investigações. O banco do Distrito Federal também passou a controlar fundos que fazem parte de uma rede financeira investigada pelas autoridades.
No ano passado, o BRB informou que recuperou parcialmente os valores, cerca de R$ 10 bilhões. Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino, afirmou que a necessidade de provisionar recursos para cobrir as perdas pode chegar a R$ 5 bilhões, devido ao uso de ativos de baixa qualidade na substituição.
Esse valor será detalhado no documento que será enviado ao Banco Central.
