BRUNO LUCCA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Brasília foi escolhida para ser a sede principal da nova Universidade Indígena. A decisão aconteceu nesta quinta-feira (28), durante a primeira reunião do grupo de trabalho criado pelo governo Lula (PT) para planejar a criação dessa universidade, que é uma demanda antiga, com mais de 15 anos.
O encontro contou com a participação de representantes de universidades federais, do Ministério da Educação (MEC), da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), do Ministério dos Povos Indígenas e lideranças indígenas.
Uma das participantes foi Rozana Naves, reitora da Universidade de Brasília (UnB). Ela afirmou que a Universidade Indígena representa “um passo importante para valorizar o conhecimento ancestral, respeitar a diversidade e criar uma educação superior que seja plural, inclusiva e voltada para a justiça social”.
A ideia da universidade indígena surgiu durante a primeira Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, em 2009, mas só avançou efetivamente neste terceiro mandato do presidente Lula, quando a proposta foi apresentada à equipe de transição em 2022.
O MEC criou em maio deste ano um grupo de trabalho formado por indígenas, representantes do governo federal e reitores, para desenvolver o projeto da universidade indígena.
O plano prevê que a administração da universidade fique em Brasília, por razões geográficas e políticas, e que tenha campi nas cinco regiões do Brasil.
O currículo vai priorizar os 274 idiomas indígenas ainda falados, ao contrário de impor as línguas de colonização, como português, inglês e espanhol.
A universidade também vai valorizar a ciência ancestral, que inclui conhecimentos sobre o melhoramento natural de plantas e frutos, e reconhecer o papel dos povos indígenas na luta contra a crise climática, por meio da proteção dos biomas naturais em seus territórios.