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quarta-feira, 11/02/2026

Brasília promove o uso da bicicleta para valorizar o turismo e cuidar do meio ambiente

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Em Brasília

Brasília conta agora com um percurso oficial para cicloturismo, unindo turismo, mobilidade urbana e valorização do patrimônio cultural da cidade. Criado pela Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), o projeto oferece um guia pequeno com rotas para quem quer explorar a capital de bicicleta, seja morador ou visitante.

O secretário de Turismo, Cristiano Araújo, explicou que a ideia é ampliar as opções turísticas e destacar Brasília como um lugar ligado à qualidade de vida, lazer ao ar livre e sustentabilidade. “Brasília tem muitas vantagens para o cicloturismo, como áreas verdes, ruas bem planejadas, paisagens famosas, ciclovias e bom clima. A rota oficial organiza tudo isso, trazendo mais segurança, informações e incentivo para o uso da bicicleta”, disse.

O guia não serve só para promover o turismo, mas também para incentivar a mobilidade sem motor, ajudando o meio ambiente e promovendo saúde. As rotas conectam ciclovias a pontos turísticos, áreas de lazer e serviços da cidade.

Essa iniciativa é muito ligada ao jeito especial de Brasília, que é uma cidade planejada e patrimônio da humanidade. Cristiano Araújo destacou que o cicloturismo permite conhecer de perto a arquitetura, o paisagismo e o urbanismo da cidade, reconhecidos pela Unesco. É uma experiência educativa e que faz a pessoa se ligar mais à identidade da capital.

Embora ainda não exista um projeto para ampliar as rotas, a Setur-DF pensa em lançar futuras versões do guia e criar novos caminhos em outras áreas da cidade.

Experiência prática e técnica em duas rodas

O guia foi criado com a ajuda do arquiteto e urbanista Graco Santos, fundador da Camelo Bike Tour, empresa de cicloturismo urbano que funciona desde 2014. Apaixonado por Brasília e pela bicicleta como forma de conhecer a cidade, Graco Santos tem mais de dez anos guiando turistas e moradores nos principais pontos e paisagens da capital.

“Andar de bicicleta em Brasília ajuda a entender a cidade além dos monumentos. É uma aula viva sobre arquitetura, história e cultura”, explicou.

Nos últimos 11 anos, a Camelo Bike Tour pedalou mais de 80 mil quilômetros e acompanhou mais de seis mil turistas do Brasil e do mundo. Um de seus roteiros foi eleito uma das 100 melhores experiências do Brasil pelo programa Feel Brasil, da Embratur e Sebrae.

Essas vivências foram muito importantes para montar o guia. Para Graco Santos, a escolha das rotas foi ao mesmo tempo técnica e prática, baseada no uso real das bicicletas na cidade. “Não criamos caminhos novos, mas organizamos e melhoramos os que já são usados, respeitando a cidade real”, contou. Parte das rotas já tinha sido mapeada pela própria empresa.

O guia prioriza a segurança, usando rotas com ciclovias, ciclofaixas e ruas menos movimentadas. Também foi considerado o visual, pontos turísticos, áreas naturais e acessibilidade. O resultado é um material bonito, interessante e, principalmente, seguro.

O guia é pensado tanto para turistas quanto para moradores. Para o visitante, é uma forma de conhecer a cidade andando devagar e sentindo tudo com mais atenção. Para quem mora, é um convite para redescobrir sua própria cidade.

Graco Santos explicou que muitas pessoas que vivem em Brasília há muito tempo nem imaginam que esses caminhos podem ser usados para lazer ou para se deslocar no dia a dia. O guia ajuda a mudar essa visão e a criar uma ligação maior com a cidade. Ele acredita que essa é uma “revolução silenciosa” que mostrará seus resultados na próxima década.

Desafios e políticas públicas

Além do turismo, o projeto reforça a bicicleta como uma política pública que envolve saúde, meio ambiente, lazer e economia. Graco Santos alerta que ainda há desafios. “O poder público precisa ver a mobilidade ativa como prioridade. Existem leis no Distrito Federal que falam da instalação de suportes para bicicletas nos ônibus, mas elas até agora não foram aplicadas. Isso não pode continuar assim”, criticou.

Para o arquiteto, investir no cicloturismo é também fortalecer o comércio local, criar empregos e movimentar a economia. “Mais acessibilidade faz mais gente circular, beneficia o comércio e aquece a economia. Para salvar as ruas e o comércio, a bicicleta é parte essencial da solução”, concluiu.

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