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domingo, 31/08/2025

Brasileiro doa medula óssea três vezes e é chamado de herói real

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Raphael Athayde de Souza, 38 anos, não imaginava que um ato de solidariedade realizado em 2012 transformaria sua vida e salvaria outras pessoas ao longo desse caminho. Naquele ano, um amigo de infância, Ronald, foi diagnosticado com leucemia e mobilizou os moradores do bairro em Vitória (ES) para que se cadastrassem como doadores de medula óssea no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea).

Infelizmente, Ronald não sobreviveu, mas Raphael continuou firme no compromisso de ajudar outras pessoas, tornando-se um doador regular de sangue e permanecendo inscrito como doador de medula. O que ele não esperava era ser chamado para doar três vezes — algo raro que evidencia como sua compatibilidade genética fez a diferença para muitas vidas.

A primeira doação foi uma surpresa, mas a segunda, realizada em dezembro de 2024, pouco antes do Natal, foi vista por Raphael como um presente especial. “Foi tão rápido e tranquilo que doei no hospital Santa Rita, ao lado de casa. Entrei e saí caminhando normalmente”, relata. A medula foi enviada no mesmo dia para os Estados Unidos e, segundo o que é permitido saber, provavelmente ajudou uma criança.

Meses depois, uma terceira doação consolidou sua missão de salvar vidas. Desta vez, o procedimento ocorreu em Brasília, no Hospital DF Star, exigindo uma coleta maior por meio de um cateter na veia femoral. Raphael descreve a experiência como incrível, pois ajudar uma pessoa também beneficia toda sua família.

Esse procedimento, chamado aférese, é moderno: o sangue é separado em uma máquina que retira as células-tronco e devolve o restante ao corpo. Raphael ficou algumas horas conectado ao equipamento, recebendo anestesia local e sem sentir dor. Saiu do hospital andando e precisou apenas de quinze dias de repouso.

A hematologista Maria Cristina Seiwald, do Hospital Sírio-Libanês, explica que o transplante de medula é fundamental no tratamento de doenças graves do sangue. A maior dificuldade é encontrar doadores compatíveis fora da família, pois a chance é de 1 em 100 mil. Por isso, o Redome é tão importante para salvar vidas.

Embora seja possível doar mais de uma vez, casos como o de Raphael são raros devido à compatibilidade única e à disposição para ajudar. O procedimento salva vidas, mas pode trazer riscos para quem o recebe, exigindo cuidado em centros especializados.

Atualmente, Raphael Athayde de Souza coordena o projeto FlamedulaES, inspirado em um grupo nacional que une doadores e torcedores do Flamengo, para incentivar o cadastro de doadores de sangue e medula pelo país.

Ele compartilha: “Minha frase de vida é: ‘Um coração bom é a melhor religião’. Quero que meus filhos se orgulhem de mim, não pelo dinheiro, mas pelo legado de ajudar os outros.” Para ele, salvar uma vida é mais simples do que se imagina, pois “uma picada de agulha não dói nada perto da dor de quem tem poucos dias para viver.”

Quem deseja ser doador precisa ter entre 18 e 35 anos, estar saudável e procurar um hemocentro para realizar um exame simples. Os dados ficam no Redome e, se houver compatibilidade, a pessoa é chamada para doar.

“A sensação é de ser um herói de verdade — e qualquer pessoa pode se tornar um.” Doem medula. Doem sangue. Doem vida!”, finaliza Raphael.

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