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domingo, 22/02/2026

Brasileiras trabalham quase como mulheres em outros países, revela estudo

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RAFAEL CARIELO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Na sala de aula, uma professora ensina jovens e adultos a ler. Na janela, uma menina observa admirada a avó que escreve na lousa. Essa cena, guardada na memória por Sara Manoela Leal de Oliveira, 24 anos, ocorreu na cidade de Lajedo, Pernambuco, no início dos anos 2000.

Sara nasceu em São Paulo, mas visitava a avó em Pernambuco na infância. A avó, Noemia Leal dos Santos, começou a dar aulas aos 40 anos, conciliando o trabalho na escola com as tarefas da casa e a família.

Hoje, Sara trabalha para uma empresa ligada ao TikTok e enfrenta uma rotina diária de duas horas de metrô para ir e voltar do trabalho. Ela tem uma escala de seis dias por semana, com cerca de seis horas e vinte minutos diários de trabalho. Formada em jornalismo, está fazendo outra faculdade à distância. Desde os 14 anos, Sara ajuda os pais vendendo produtos numa banca de rua no bairro do Brás.

O contraste entre a realidade da Sara e da avó Noemia mostra a mudança no tempo que as mulheres brasileiras dedicam ao trabalho nas últimas três décadas.

Um estudo do economista Daniel Duque com dados de horas trabalhadas em 160 países, incluindo Brasil, mostra que, nos anos 90 e 2000, as brasileiras trabalhavam menos horas do que o esperado para o nível produtivo do país na época.

Desde então, o tempo trabalhado pelas brasileiras tem se aproximado do padrão observado em países com características semelhantes, como produtividade e estrutura demográfica.

Duque explica que essa mudança pode estar ligada à transição demográfica e cultural, que alterou a divisão das tarefas entre homens e mulheres dentro e fora de casa. Além disso, desafios econômicos desde os anos 90 podem ter levado mais mulheres a aumentar suas jornadas de trabalho para ajudar a família.

Entre as jovens de 15 a 19 anos, as mulheres brasileiras trabalham mais horas do que o esperado, superando inclusive os homens dessa faixa etária, segundo o estudo.

Duque destaca que o esforço dos trabalhadores brasileiros vai além do trabalho formal, incluindo tempo gasto em transporte público, estudos e afazeres domésticos.

Raphaela Carvalho, 23 anos, trabalha como operadora de telemarketing e costuma fazer horas extras. Ela passa mais de três horas no deslocamento diário entre Suzano e o centro de São Paulo. Sua mãe, consultora de viagens, tem uma jornada de trabalho intensa também. As avós provavelmente trabalhavam menos horas por semana. Uma delas parou de trabalhar devido a um câncer, enquanto a outra vende marmitas e doces em casa, dedicando poucas horas diárias a essa atividade.

Raphaela planeja continuar trabalhando muitas horas, mas quer mudar de profissão e já estuda para isso à noite. Sonha em cursar medicina e quase passou no vestibular do ano passado.

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