A balança comercial do Brasil deve fechar 2025 com um superávit próximo de US$ 62 bilhões, conforme previsão do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
O relatório alerta que esse valor é válido se não ocorrerem mudanças inesperadas, como novas tarifas por parte dos Estados Unidos no comércio com o Brasil.
Desde agosto, os EUA aplicaram tarifas a 94 países, mas a China recebeu um prazo adicional de 90 dias para negociações.
Para o Brasil, a abertura de negociações continua difícil, e o governo lançou programas que apoiam especialmente pequenas e médias empresas.
O governo também mantém o compromisso de buscar novos acordos comerciais, ampliar mercados e fortalecer a cooperação internacional.
O Icomex destaca que os 30 principais produtos que o Brasil exporta para os EUA representam 65,3% das trocas comerciais entre os dois países entre janeiro e julho de 2025, mas apenas 7,8% do total das exportações brasileiras.
Desses 30 produtos, 18 não têm isenções tarifárias, e para 14 deles, os Estados Unidos respondem entre 29,7% e 96,1 das vendas externas brasileiras.
A FGV reconhece que o apoio do governo às empresas afetadas pelas tarifas é positivo, mas sugere que os recursos sejam direcionados apenas para as empresas mais impactadas.
O relatório ressalta que acordos que promovam a abertura de mercados seriam úteis para contrabalançar as tarifas americanas, mas que a estratégia dos EUA de focar em acordos bilaterais dificulta negociações multilaterais.
No âmbito das relações Brasil-EUA, questões políticas permanecem sensíveis, mas há espaço para discutir acordos que aumentem a produtividade e atendam interesses nacionais.
Em julho de 2025, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,1 bilhões, levemente menor que os US$ 7,6 bilhões em julho do ano anterior. No acumulado de janeiro a julho, o superávit alcançou US$ 37 bilhões, contra US$ 49,1 bilhões no mesmo período de 2024.
A corrente de comércio — soma das exportações e importações — aumentou, com crescimento de US$ 3,4 bilhões em julho e de US$ 12,5 bilhões no acumulado até julho, segundo a FGV.
O aumento das importações foi maior (8,4% em julho e 8,3% no ano) do que o das exportações (4,8% em julho e 0,1% no ano), o que influenciou a redução do superávit.
Estadão Conteúdo