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sábado, 29/11/2025

Brasil tem mais de meio milhão de adultos com esquizofrenia, revela estudo

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PATRÍCIA PASQUINI
SÃO PAULO, SP

No Brasil, mais de 547 mil adultos vivem com esquizofrenia. Este número representa cerca de 0,34% da população adulta do país, conforme mostra uma pesquisa recente feita por universidades federais e estaduais com dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019.

O estudo intitulado “A prevalência da Esquizofrenia no Brasil: Vulnerabilidade Social como Consideração Fundamental para o Cuidado e Políticas Públicas” relaciona o transtorno à desigualdade social e econômica. A maioria das pessoas afetadas são homens entre 40 e 59 anos, com baixa renda e escolaridade, moradores urbanos, desempregados e que vivem sozinhos. Foram avaliados dados de 91 mil adultos.

A Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, foi a maior amostra nacional já utilizada para estimar a prevalência da esquizofrenia no Brasil, preenchendo uma lacuna importante no conhecimento sobre o tema.

De acordo com os pesquisadores Ary Gadelha de Alencar Araripe Neto, professor e vice-chefe do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, e Raffael Massuda, psiquiatra da Universidade Federal do Paraná, o estudo possibilita entender melhor quem tem esquizofrenia no país.

Gadelha destaca que o impacto social é ainda maior ao considerar as famílias das pessoas com esquizofrenia, já que a doença começa geralmente por volta dos 18 anos e acompanha o paciente por toda a vida, afetando muitos brasileiros além dos próprios diagnosticados.

A análise mostra que 54,8% das pessoas afetadas têm até o ensino fundamental incompleto, enquanto apenas 10,5% possuem nível superior. Cerca de 82,2% não têm emprego formal.

Gadelha alerta que a porcentagem da população com esquizofrenia pode ser maior, pois o estudo não acompanhou pessoas em situação de rua ou institucionalizadas.

Essa condição reduz a expectativa de vida em até 15 anos e está ligada a altos índices de desemprego, pobreza e isolamento. No Brasil, as desigualdades sociais tornam essa situação ainda mais grave.

Os pesquisadores defendem políticas públicas que integrem saúde, assistência social, educação e emprego, para apoiar o tratamento e a inclusão social das pessoas com esquizofrenia.

Gadelha afirma que é possível ter uma vida produtiva com esquizofrenia, desde que o tratamento seja adequado e acessível, e que o ambiente familiar e social seja favorável.

O estudo também aponta que morar em grandes cidades pode aumentar o risco da doença devido a fatores como exposição à violência e uso de drogas na adolescência.

O isolamento social é um fator preocupante, pois muitas pessoas com esquizofrenia vivem sozinhas, possivelmente por causa do estigma relacionado à doença.

Os pesquisadors planejam apresentar os dados ao Ministério da Saúde para desenvolver políticas públicas efetivas que melhorem o acesso à educação, saúde e o retorno ao trabalho dessas pessoas.

O estudo foi revisado e aprovado pela Revista Brasileira de Psiquiatria e contou com a participação de vários pesquisadores, incluindo Carolina Ziebold, Pedro Gabriel Lorencetti, Naielly Rodrigues da Silva, Alexandre Faisal-Cury, Daniel Mauricio de Oliveira Rodrigues, Christoph U. Correll, Jair Mari e Russell Margolis.

O que é a esquizofrenia

É um transtorno mental que afeta o pensamento, as emoções e o comportamento, geralmente surgindo no fim da adolescência. Pode afetar homens e mulheres de maneiras diferentes, sendo mais grave e precoce nos homens.

A doença não tem cura, mas os sintomas podem ser controlados com medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

A esquizofrenia resulta de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, como complicações durante o parto, infecções, estresse intenso, uso de drogas e violência.

Pessoas em situações sociais desfavorecidas estão mais expostas aos fatores de risco, o que aumenta a chance de desenvolver a doença. Por outro lado, a esquizofrenia pode levar à queda nas condições sociais da pessoa ao longo do tempo, dificultando o estudo, o trabalho e a estabilidade financeira.

O projeto Saúde Pública conta com o apoio da associação civil Umane, que ajuda iniciativas de promoção da saúde.

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