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terça-feira, 27/01/2026

Brasil registra mais mortes no trânsito em 8 anos e Nordeste lidera pela primeira vez

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FÁBIO PESCARINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Em 2024, pela primeira vez, a região Nordeste do Brasil teve o maior número de mortes no trânsito, somando 11.894 óbitos, superando o Sudeste, que é a região mais populosa e teve 10.995 mortes no mesmo ano.

Esses dados são parte de um estudo da organização Vital Strategies, baseado em informações do Ministério da Saúde, que acompanha os números desde 2010. Os dados de 2025 ainda não foram divulgados.

Mortes no trânsito por ano

De 2010 a 2024, o número de mortes no trânsito no Brasil apresentou variações nas diferentes regiões, com a região Nordeste mostrando um aumento significativo nos últimos anos.

Em 2024, o total de mortes no trânsito em todo o Brasil foi de 37.150 pessoas, um aumento de cerca de 6,5% em relação ao ano anterior, e o maior número desde 2016, quando foram registradas 37.345 mortes.

Especialistas estão preocupados com a comparação entre o tamanho das frotas regionais. Em dezembro de 2024, o Sudeste contava com cerca de 59 milhões de veículos, quase três vezes mais que os 22,3 milhões do Nordeste, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Quando analisamos a taxa de mortalidade, que é o número de mortes para cada 100 mil habitantes, a região Centro-Oeste é a que possui o maior índice, com 24,5 mortes por 100 mil habitantes, seguida pelo Norte com 21 e Nordeste com 20,8.

O Sudeste possui a menor taxa, com 12,4 mortes para cada 100 mil habitantes.

Locais das vítimas em 2024

Os dados mostram que, em 2024, a maioria das mortes no trânsito no Nordeste ocorreu com motociclistas, que somaram 6.116 casos, representando um número 60% maior que os 3.820 casos registrados no Sudeste.

No Norte e no Nordeste, mais da metade das vítimas estavam em motocicletas, 53% e 51,4% respectivamente, enquanto no Sudeste esse percentual foi de 34,7%.

Dante Rosado, mestre em engenharia de transporte e coordenador do programa de segurança viária da Vital Strategies no Brasil, explica que a motocicleta é um veículo mais perigoso, e o risco aumenta quando as estradas têm infraestrutura ruim e a fiscalização é fraca.

O Nordeste possui seis das doze rodovias consideradas em péssimas condições no país, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que avaliou o pavimento, a sinalização e a geometria das estradas.

Dante Rosado destaca que o problema também é comum nas ruas urbanas e rurais, e lembra que é frequente ver famílias nas periferias usando motos para transportar mais pessoas do que a capacidade permitida.

O governo federal, sob a administração de Lula (PT), afirma que adota uma abordagem ampla e preventiva para reduzir a violência no trânsito, atuando desde a formação dos motoristas até a fiscalização e melhoria das condições das vias.

Segundo o Ministério dos Transportes, a estratégia inclui educação, incentivo à regularização dos motoristas e estímulo a comportamentos responsáveis para salvar vidas e diminuir acidentes em todas as regiões do país.

Entre as ações recentes estão o programa CNH Brasil, que facilita o acesso à carteira de motorista, e a medida provisória do Bom Condutor, que permite a renovação automática da habilitação para motoristas sem infrações nos últimos 12 meses.

A pasta destaca que ainda existem mais de 20 milhões de pessoas dirigindo sem habilitação no país, e que trazer esses motoristas para a legalidade contribui para um trânsito mais seguro.

Especialistas sugerem várias medidas para diminuir o número de mortes, como melhorar o transporte público, que tem perdido passageiros para as motocicletas, investir em infraestrutura e reforçar a fiscalização de velocidade e uso de capacete.

Diogo Lemos, coordenador-executivo da Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global, afirma que os dados revelam falta de compromisso com a segurança viária e que é preciso uma atuação nacional e estadual efetiva, com foco também nos municípios menores.

Ele ressalta a importância de investir não apenas em asfalto, mas também em infraestrutura adequada e fiscalização eficiente.

O Ministério dos Transportes lembra ainda o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que tem como meta reduzir pela metade o número de mortes no trânsito até 2030, tomando como base os dados de 2020.

Para ajudar a controlar os limites de velocidade nas cidades, a Senatran criou o Guia de Gestão de Velocidades no Contexto Urbano, que oferece práticas para definir velocidades seguras e aplicar soluções de engenharia e fiscalização para reduzir acidentes graves.

Em relação às mortes com motocicletas, o governo citou a criação da Semana Nacional de Prevenção a Sinistros com Motociclistas, a Conferência Nacional de Segurança no Trânsito e o Programa Nacional de Segurança de Motociclistas, que terá como base o Pnatrans. O programa estava previsto para ser concluído em 2023, mas ainda não foi finalizado.

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