A China adotou medidas para limitar a importação de carne bovina, o que pode causar uma queda significativa nas exportações brasileiras para o maior comprador da proteína. Alcides Torres, sócio-diretor da Scot Consultoria, comentou a decisão do governo chinês anunciada na última quarta-feira (31).
O mercado já esperava restrições como cotas e tarifas, mas o impacto para o Brasil será grande. Atualmente, o país exporta cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina por ano para a China, mas com as novas regras a cota vai diminuir para pouco mais de 1,1 milhão de toneladas em 2026. “Na prática, o Brasil pode deixar de enviar perto de 500 mil toneladas para a China em 2026. É uma perda, pois esse comércio vinha crescendo”, afirmou Torres.
Segundo o analista, Argentina e Uruguai serão menos afetados considerando o tamanho de seus rebanhos e exportações habituais. “Quem sai ganhando nesta situação são Argentina e Uruguai, comparando com o tamanho dos rebanhos deles. O Brasil foi penalizado”, destacou Torres. No entanto, empresas com operações regionais, como a Minerva, podem se beneficiar indiretamente, já que possuem frigoríficos nesses países.
Apesar do impacto inicial negativo, Torres lembra que a China continuará sendo um parceiro comercial importante. As autoridades chinesas disseram que as cotas vão aumentar lentamente entre 2026 e 2028, mas esses ganhos são pequenos em relação ao crescimento recente do Brasil. “É uma notícia ruim. Era esperada, mas sempre é desconfortável”, disse ele.
Diante dessa situação, espera-se que o Brasil busque novos mercados. “O país deve diversificar suas exportações, especialmente para locais sem cotas ou tarifas, ou mercados novos”, afirmou o sócio-diretor da Scot, mencionando também a possibilidade de transbordo dentro de limites específicos.
O Ministério do Comércio da China anunciou oficialmente essa medida, que entrou em vigor em 1º de janeiro e valerá até 31 de dezembro de 2028. A política define cotas anuais por país e uma tarifa extra de 55% para volumes acima dessa cota. Para o Brasil, a cota será de 1,106 milhão de toneladas em 2026, aumentando para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028.
A China justifica a decisão para proteger sua indústria local, alegando que o aumento das importações prejudicou os produtores nacionais.
Estadão Conteúdo

