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sábado, 07/02/2026

Brasil negocia acordo sobre minerais com Índia e evita exclusividade aos EUA

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Em Brasília

PATRÍCIA CAMPOS MELLO E CAIO SPECHOTO
SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O Brasil está conversando com a Índia para fechar um acordo sobre minerais importantes, buscando ampliar a cooperação nessa área. Se as negociações avançarem, o acordo pode ser firmado durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático, prevista para após o Carnaval.

O governo brasileiro descarta fazer um acordo com os Estados Unidos baseado nas propostas apresentadas recentemente pelo presidente americano, Donald Trump, e também não pretende entrar no “Fórum de Engajamento em Recursos Geoestratégicos” criado pelos EUA.

Segundo o Planalto, esses acordos americanos têm como objetivo isolar a China e garantir o fornecimento exclusivo de minerais aos EUA.

Para o governo brasileiro, aceitar esses termos seria uma limitação indesejada, já que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais.

O Brasil quer firmar acordos abertos e bilaterais com todos os países, recusando pactos multilaterais.

O objetivo dos EUA com esses acordos é diminuir sua dependência dos minerais vindos da China, que possui a maior reserva e capacidade de processamento mundial. Durante o aumento das tarifas pelo governo Trump, a China limitou a exportação desses minerais, que são essenciais para tecnologias avançadas.

O governo Lula entende que um acordo com restrições como essas pode ser proposto na visita do presidente brasileiro a Washington em março, mas considera que essa proposta seria restritiva demais para o Brasil.

Apesar disso, o governo está aberto a dialogar com os Estados Unidos, Índia, China e União Europeia sobre esse tema.

Existe uma preocupação em relação à China, pois o governo brasileiro acredita que os chineses não desejam transferir tecnologia de processamento para o Brasil, a fim de manter sua vantagem competitiva.

Uma prioridade do presidente Lula é estabelecer parte da cadeia de processamento dos minerais em território brasileiro.

Em uma recente reunião ministerial sobre minerais em Washington, foram assinados memorandos de entendimento com 11 países da América do Sul, mas o Brasil participou apenas como convidado e não assinou nenhum acordo nem entrou para o fórum.

Os acordos fechados pelos EUA incluem cláusulas de exclusividade para reduzir a presença da China no mercado.

Com grandes reservas, o governo brasileiro aposta em seu poder de negociação, buscando investir no processamento dos minerais no Brasil, para não ser só fornecedor da matéria-prima.

Fontes do governo afirmam que a negociação com a Índia está entre 14 acordos que podem ser firmados na visita do presidente Lula ao país asiático, sem ser uma resposta direta aos EUA.

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