VICTORIA DAMASCENO
NOVA DÉLI, ÍNDIA (FOLHAPRESS)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a força econômica do Brasil não será afetada pelas tarifas globais de 10% que os Estados Unidos impuseram.
“Nossa força no mercado não é prejudicada, nunca foi. Sempre dissemos que esse impacto vai afetar o consumidor americano, que consome produtos brasileiros nas suas refeições diárias”, disse o ministro à imprensa neste sábado (21).
“O Brasil é grande demais para ser controlado por qualquer país. Precisamos ser parceiros de todas as nações.”
Essas tarifas, que começaram a valer na sexta-feira (20) e serão efetivas a partir do dia 24, foram aplicadas pelo presidente americano, Donald Trump, como resposta a uma decisão da Suprema Corte dos EUA que anulou taxas impostas no início de 2025. A decisão alegou que o presidente não pode definir tarifas amplas sem aprovação do Congresso.
O ministro comentou que essa incerteza nas tarifas complica a situação, mas destacou os avanços conseguidos pela diplomacia brasileira. “Claro que não queríamos enfrentar essa situação, mas acredito que o Brasil e nossa diplomacia agiram muito bem diante do desafio”, afirmou.
Haddad fez essas declarações após participar de um evento da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) em Nova Déli, Índia. Ele está acompanhando empresários e autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma visita de Estado e participação na cúpula de inteligência artificial organizada pelo país.
As novas tarifas estabelecidas por Trump isentam diversos produtos, como carne bovina, tomate, laranja e minerais importantes.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, um dos principais negociadores com os EUA, comentou na sexta-feira que essas novas condições são vantajosas para o Brasil. Produtos como máquinas, equipamentos, motores, armas, têxteis e calçados, que sofriam tarifas de 40%, agora terão tarifas mais baixas, representando um alívio para esses setores.

