O governo do Brasil acredita que ainda é cedo para tirar conclusões sobre as recentes decisões dos Estados Unidos. A estratégia do país continuará focada no diálogo com os americanos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no último sábado, 21, que vai elevar as tarifas globais de 10% para 15%, após uma decisão da Suprema Corte dos EUA.
No mesmo dia em que a Suprema Corte derrubou a tarifa imposta anteriormente, Trump publicou uma ordem executiva estabelecendo uma tarifa global de 10% por 150 dias, mas depois informou que aumentará para 15% imediatamente.
Também na ordem executiva, o presidente declarou que manterá as investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre supostas práticas injustas, incluindo o Brasil, que está entre os países investigados.
Brasil aposta no diálogo contínuo
As autoridades brasileiras destacam que a balança comercial positiva entre os dois países é um dos motivos para considerar a tarifa injusta desde o início.
A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em missão oficial na Índia e Coreia do Sul, e fontes do governo afirmam que ainda é cedo para saber o impacto real da ordem executiva para o Brasil.
O governo brasileiro vai insistir na conversa nas próximas semanas. Está prevista uma reunião entre Lula e Trump nos Estados Unidos em março.
Um argumento frequente usado pelo Brasil é que é um dos poucos países que tem superávit comercial com os EUA, o que é lembrado para contestar as tarifas e as investigações.
Investigação dos EUA inclui Pix e rua 25 de Março
A investigação americana contra o Brasil envolve o sistema de pagamentos Pix e o comércio na conhecida rua 25 de Março, em São Paulo. Embora o Pix não seja citado diretamente, o governo dos EUA alega que o Brasil pode estar agindo de forma injusta em relação aos serviços de pagamento eletrônico, especialmente os oferecidos pelo governo.
Sobre a rua 25 de Março, a investigação afirma que o local é conhecido por várias práticas que prejudicam a proteção dos direitos de propriedade intelectual, sendo um dos maiores mercados de produtos falsificados, apesar das operações policiais na região.
Outros temas mencionados na investigação incluem o desmatamento ilegal e as tarifas cobradas sobre o etanol no Brasil.
Fonte: Estadão Conteúdo

