25.5 C
Brasília
segunda-feira, 26/01/2026

Brasil lidera lista de mortes de trans e travestis em 2025

Brasília
nuvens quebradas
25.5 ° C
25.5 °
25.5 °
61 %
5.1kmh
75 %
seg
25 °
ter
27 °
qua
28 °
qui
28 °
sex
26 °

Em Brasília

O Brasil permanece como o país com maior número de assassinatos de pessoas trans e travestis no mundo, contando 80 casos em 2025, segundo o relatório anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado nesta segunda-feira (26).

Este número representa uma queda de 34% em comparação a 2024, quando foram registrados 122 homicídios. Mesmo assim, o Brasil lidera esse triste ranking há quase 18 anos, mostrando que a violência contra essa comunidade continua grave.

Bruna Benevides, presidente da Antra e autora do relatório, explica que esses assassinatos não acontecem por acaso, mas são consequência de um sistema que perpetua a opressão, com exclusão social, racismo e falta de apoio institucional. “Essas mortes não são casos isolados, elas mostram uma população que sofre violência intensa desde cedo”, declarou.

Os dados foram reunidos por meio da vigilância diária de notícias, denúncias e registros públicos. Os estados do Ceará e Minas Gerais tiveram o maior número de assassinatos, com oito casos cada. A Região Nordeste teve 38 casos, seguida pelo Sudeste (17), Centro-Oeste (12), Norte (7) e Sul (6).

Analisando os dados entre 2017 e 2025, São Paulo é o estado com mais mortes, totalizando 155. A maioria das vítimas são travestis e mulheres trans jovens entre 18 e 35 anos, na maioria negras e pardas.

Apesar da redução nos homicídios, o relatório indica que as tentativas de assassinato aumentaram, mostrando que a violência continua forte. Problemas como subnotificação, falta de confiança nas instituições de segurança e justiça, diminuição da cobertura na mídia e ausência de políticas públicas específicas contra a transfobia pioram a situação.

O relatório traz recomendações para o poder público, sistema de justiça e instituições de direitos humanos para combater a impunidade. Benevides destacou a importância de criar políticas de proteção, principalmente para mulheres trans. “Tem muitos dados disponíveis, mas falta ação dos responsáveis pelas decisões”, afirmou.

A nona edição do relatório será apresentada em uma cerimônia no auditório do Ministério dos Direitos Humanos, onde será entregue oficialmente a representantes do governo federal.

Os dados da Antra confirmam o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), que registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ em 2025, uma queda de 11,7% em relação a 2024. Isso inclui 204 homicídios, 20 suicídios, 17 latrocínios e outros casos. O Brasil continua sendo o país com maior número de homicídios e suicídios de pessoas LGBT+ no mundo, acima do México (40) e Estados Unidos (10), o que representa uma morte a cada 34 horas.

Veja Também