LUIS EDUARDO DE SOUSA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Brasil começa a monitorar casos de diabetes tipo 5, uma iniciativa inédita na saúde do país e pouco comum em outros lugares do mundo.
Esta ação foi confirmada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) nesta quarta-feira (26), durante um congresso no Rio de Janeiro. O foco inicial será nas regiões Norte e Nordeste, onde há maior número de pessoas enfrentando insegurança alimentar e desnutrição.
O diabetes tipo 5 ocorre devido a problemas nutricionais e muitas vezes é confundido com o tipo 1. Especialistas acreditam que várias pessoas no país com diabetes tipo 5 estejam recebendo tratamento para tipo 1, o que pode trazer riscos à saúde dos pacientes.
Descoberto na década de 1950, o diabetes tipo 5 voltou a ser tema de discussão no ano passado após um encontro de especialistas na Índia, conforme informou Hermelinda Pedrosa, vice-presidente da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e membro da SBD.
“Chamamos esse tipo de diabetes de tipo 5 porque ele é diferente dos outros tipos identificados até agora: afeta pessoas muito magras, geralmente com menos de 30 anos, que necessitam de doses menores de insulina”, explica a médica.
Essas características causam confusão no diagnóstico, já que o diabetes tipo 1 também costuma afetar jovens magros e tem fatores hereditários. Já o diabetes tipo 2, que é o mais comum no mundo, está relacionado à resistência à insulina adquirida ao longo do tempo e acompanhada por condições como obesidade.
“No diabetes tipo 5”, continua Hermelinda, “a pessoa não apresenta resistência à insulina nem desenvolve cetoacidose, uma situação emergencial causada pela falta de insulina que impede a glicose de entrar nas células. Esse tipo surge de uma falha nas células que produzem insulina, causada por deficiência nutricional”.
Quando um paciente com diabetes tipo 5 recebe tratamento para o tipo 1, ele pode receber doses excessivas de insulina.
O uso de insulina em excesso pode causar hipoglicemia, pois o hormônio faz com que as células absorvam glicose e reduz a liberação de açúcar pelo fígado. Em casos graves, isso pode levar a confusão mental, convulsões, perda de consciência, coma e até a morte. O risco é maior quando a insulina é administrada sem necessidade real.
Há poucas evidências sobre a cura desse tipo de diabetes, segundo Hermelinda. Contudo, o ajuste na dose de insulina junto com melhorias na alimentação pode ajudar o paciente a controlar melhor o açúcar no sangue.
A expectativa é que o rastreamento e a coleta de dados sobre o diabetes tipo 5 possam auxiliar no desenvolvimento de novos tratamentos. Além da SBD, participam da iniciativa a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a IDF e a Fiocruz, bem como estudos com participação da Unifesp e da UFRJ.
A Federação Internacional de Diabetes estima que 16,6 milhões de adultos no Brasil tenham diabetes. O tipo 1 afeta cerca de 500 mil pessoas, enquanto a maioria dos casos — mais de 90%, segundo a SBD — correspondem ao diabetes tipo 2.
