24.5 C
Brasília
domingo, 08/02/2026

Brasil enfrenta 10 anos sem avanços em novas reservas de petróleo

Brasília
nuvens dispersas
24.5 ° C
24.5 °
24.5 °
69 %
2.6kmh
40 %
seg
24 °
ter
24 °
qua
19 °
qui
24 °
sex
18 °

Em Brasília

NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O Brasil encerra 2025 registrando uma década sem progresso na exploração de novas áreas de petróleo, devido à queda dos preços internacionais do petróleo e às dificuldades para obter licenças ambientais.

Apesar dos esforços do governo para abrir áreas ainda não exploradas, a atividade deve continuar lenta, principalmente pela expectativa de petróleo mais barato.

A exploração é o momento em que as empresas de petróleo tentam confirmar se há petróleo sob o solo.

Esse processo começa com pesquisas sísmicas, que funcionam como ultrassom do subsolo para encontrar reservatórios em potencial.

Em seguida, são perfurados poços para verificar a presença de petróleo ou gás, como a Petrobras está fazendo atualmente na bacia da Foz do Amazonas, após um processo difícil de licenciamento ambiental.

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que a exploração está parada desde a crise de 2014, quando o preço do barril caiu para 40 dólares, e piorou mesmo após a recuperação dos preços.

No auge do pré-sal, o Brasil chegou a perfurar mais de 100 poços por ano, com recorde de 150 em 2011. Em 2025, foram apenas 19; e em 2024, o pior ano do século, só 10.

Nas áreas marítimas, que detêm o maior potencial para o país, foram 10 poços em 2025 e 7 em 2024, muito menos que os 150 de 2011, um número superior a todos os 63 poços perfurados na última década.

Especialistas do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep) alertam que, antes, o número de poços exploratórios variava conforme o preço do petróleo; porém, essa relação mudou recentemente no Brasil.

“A redução drástica na perfuração de poços não é causada pelo preço, mas sim pela queda nos investimentos em exploração, mostrando uma mudança na forma como o setor aloca recursos”, afirma o instituto.

A Petrobras, principal impulsionadora da exploração, decidiu investir em expandir as reservas do pré-sal descobertas na década de 2010, transformando o país em grande exportador de petróleo.

A empresa tem conseguido aumentar suas reservas, descobrindo 1,7 barril para cada barril produzido em 2025, principalmente no pré-sal, mesmo com a produção alcançando recordes.

Porém, segundo os relatórios da ANP, apenas três bacias marítimas — Santos, Campos e Sergipe-Alagoas — tiveram descobertas significativas recentemente.

“Os obstáculos ambientais nas bacias marítimas exploratórias dificultam o progresso dessas atividades”, aponta a agência em seu relatório de 2024. A ANP não comentou os pedidos de entrevista.

Sob críticas de grupos ambientais, vários governos defenderam a necessidade de mais investimentos para encontrar novas reservas que compensarão o esgotamento do pré-sal na próxima década.

Foram realizados diversos leilões para concessão de áreas exploratórias, atingindo 420 contratos em 2024, hoje reduzidos a 400, porém os investimentos ainda são lentos.

A ANP prevê 19 poços exploratórios em 2026, 7 em 2027 e 8 em 2028, podendo esses números mudar conforme a evolução das pesquisas.

Com a queda do preço do petróleo, a Petrobras reduziu a previsão de perfurações de 51 para 40 poços nos próximos cinco anos, e o orçamento para busca de reservas caiu de 7,9 a 7,1 bilhões de dólares.

Sylvia Anjos, diretora de exploração e produção da Petrobras, afirma que a empresa mantém o compromisso com a busca por novas reservas, mas que a atividade é hoje limitada pelo licenciamento ambiental.

“Especialmente em novas áreas, o processo é complexo, com múltiplas etapas e análises técnicas detalhadas dos órgãos reguladores”, explica. “Os prazos e exigências variam conforme o projeto, afetando o início das operações.”

Outras empresas, como a Shell, que tem muitas concessões exploratórias no Brasil, também estão cautelosas quanto à retomada das atividades. A Shell perfurrou apenas um poço em 2025 e ainda estuda uma nova campanha.

A empresa participa de 59 concessões no litoral brasileiro, focadas em duas áreas promissoras para renovação das reservas: a margem equatorial e a bacia de Pelotas, na região Sul.

Na margem equatorial, aguarda-se o resultado do primeiro poço da Petrobras para definir os próximos passos. Na bacia de Pelotas, há etapas iniciais com contratação de dados sísmicos.

Sylvia Anjos informa que a análise dos dados só deve ser concluída em 2028, quando será decidido se há áreas para perfuração na bacia de Pelotas. As concessões vão até 2031.

Confiando na retomada dos investimentos, a empresa TGS iniciou em novembro a coleta de dados sísmicos na parte norte da bacia, além de trabalhos recentes nas bacias da margem equatorial: Barreirinhas e Pará-Maranhão.

João Correa, gerente da TGS para o Brasil, diz que a sísmica indica o futuro da exploração: “Sem dados sísmicos, a exploração não avança”.

Veja Também