A tensão diplomática entre Brasil e Ucrânia diminuiu no último mês, depois de um desencontro ocorrido entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Volodymyr Zelensky durante a cúpula do G7 no Canadá.
Desde o início da gestão de Lula, o Brasil tem sido alvo de críticas por parte da Ucrânia. O governo de Zelensky entende que algumas atitudes e declarações do presidente brasileiro são interpretadas como apoio à Rússia.
O atrito aumentou após Lula visitar a Rússia em maio, para participar das celebrações do 80º aniversário do Dia da Vitória em Moscou. Naquele momento, o governo ucraniano recusou ao menos duas tentativas de contato telefônico entre Lula e Zelensky.
A tentativa de Lula de se reaproximar de Zelensky foi vista por autoridades em Kiev como uma ação de “cinismo”, possivelmente para ocultar um novo sinal positivo ao presidente Putin.
A diplomacia brasileira, no entanto, nega que haja qualquer crise nas relações entre os dois países. Durante a cúpula do G7, estava prevista uma reunião entre Lula e Zelensky, que seria a primeira desde a Assembleia Geral da ONU em 2023, mas a agenda apertada e atrasos impossibilitaram o encontro, já que Lula precisou deixar o Canadá antes.
Apesar desse mal-entendido, o episódio foi encarado pela diplomacia brasileira como um sinal positivo, resultado de esforços de ambos os lados para superar o desgaste nas relações.
Lula teve pouco tempo disponível na cúpula e enfrentou restrições rigorosas de trânsito aéreo, o que dificultou a possibilidade de conversas bilaterais paralelas às reuniões principais.
Atualmente, a embaixada da Ucrânia no Brasil está sem embaixador desde o início de junho, depois que Andrii Melnky deixou o cargo para assumir função na ONU. Essa ausência tem sido interpretada como um sinal de insatisfação ucraniana com o posicionamento brasileiro em relação ao conflito.
Segundo informações apuradas, o governo da Ucrânia pretende nomear um novo embaixador ao Brasil até o final de julho, o que poderá contribuir para a melhoria das relações bilaterais.
