Representantes do governo brasileiro discutiram o veto da União Europeia (UE) à importação de produtos de origem animal do Brasil em uma reunião realizada nesta quarta-feira, 30 de setembro, em Milwaukee, nos Estados Unidos. O encontro contou com a presença do chanceler Mauro Vieira, do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e do comissário de comércio da UE, Maroš Šefčovič.
A reunião ocorreu durante as agendas de comércio do G20, sob presidência dos Estados Unidos. Após o encontro com a autoridade europeia, representantes brasileiros também se reuniram com o representante do Escritório do Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, para discutir tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
A União Europeia suspendeu em setembro a importação de carne bovina, frango, carne equina, pescado, mel e tripas do Brasil, alegando que o país não segue as regras do bloco no uso de certos antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar rendimento dos animais. A suspensão foi anunciada em maio e entrou em vigor no começo de setembro.
Nas últimas semanas, houve intensa negociação por parte do governo brasileiro para tentar reverter o veto da UE.
Missão sanitária da União Europeia no Brasil
Este mês, auditores europeus visitaram o Brasil para avaliar o processo de produção de aves e mel. Eles avaliaram positivamente o controle brasileiro no uso de antimicrobianos nas cadeias analisadas. Essa conclusão foi confirmada pela Comissão da União Europeia em 28 de setembro, que considerou que o Brasil tem condições para cumprir as exigências do bloco.
Apesar dessa avaliação positiva, a retomada das importações ainda não foi autorizada oficialmente, mas o governo brasileiro vê esse resultado como um avanço importante.
Desafios para a carne bovina
Uma preocupação do governo brasileiro é a reversão do veto para a carne bovina, que é a principal proteína exportada para a União Europeia. O controle dessa cadeia é mais complexo porque envolve acompanhar todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate, o que pode levar até dois anos para comprovar o cumprimento das exigências do bloco.

