ISABELA PALHARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Brasil conseguiu reduzir pela metade o número de escolas públicas que não têm acesso à água. Em 2024, havia 2.512 escolas sem água e, em 2025, esse número caiu para 1.203.
Esses dados foram divulgados pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) no Dia Mundial da Água, em 22 de março.
Mesmo com essa melhora, ainda há 75 mil alunos matriculados em escolas sem acesso à água, contra 179 mil em 2024.
A maior parte dessas escolas está em áreas rurais. Em 2025, 96% (1.149) das escolas sem água ficavam no campo, enquanto somente 4% (54) estavam nas cidades.
Além disso, o problema atinge principalmente alunos negros, que representam cerca de 63% dos estudantes das escolas sem água.
Também há muitos estudantes indígenas nessa situação, aproximadamente 13%, principalmente em áreas rurais e na Amazônia.
Rodrigo Resende, especialista do Unicef, explica que as escolas rurais têm dificuldades históricas para ter água, o que reflete os desafios que os municípios enfrentam para melhorar a infraestrutura, especialmente na Amazônia e no semiárido do Brasil.
Ele ressalta que o problema é grave para todos os alunos, mas impacta ainda mais as meninas. Sem água, elas enfrentam dificuldades para higiene, principalmente durante a menstruação, o que compromete sua dignidade.
Além disso, em escolas sem água, as meninas precisam sair para buscar água em outros lugares, ficando mais expostas a riscos de violência.
Rodrigo Resende destaca a importância de um esforço conjunto dos governos municipais, estaduais e federal para ampliar investimentos em água e saneamento nas escolas.
Ele defende que as soluções levem em conta as necessidades locais, priorizando tecnologias sociais e o uso de fontes de energia renováveis, para aumentar a resistência a eventos climáticos extremos.

