A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) começou oficialmente em 23 de março de 2026, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O encontro, que reúne cerca de 2 mil participantes, destaca um marco importante para o Brasil, que assume pela primeira vez a presidência da conferência, reforçando seu compromisso com a proteção ambiental global.
A abertura foi conduzida pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que escolheu o Pantanal como local ideal para os debates. Ela ressaltou que para aumentar a representatividade nas decisões climáticas, é necessário criar espaços de diálogo e incluir as contribuições de povos e comunidades tradicionais. Segundo Marina Silva, o Pantanal é um lugar de encontro natural onde diferentes espécies de aves se reúnem, simbolizando a importância da conexão entre nações, ciência e saberes tradicionais para garantir a preservação das espécies migratórias.
O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, assumiu formalmente a presidência da COP15 para os próximos três anos, sucedendo o Uzbequistão, presidente anterior entre 2024 e 2026. Capobianco destacou que essa liderança brasileira será prática e focada em cooperação, buscando engajar outros países com ajuda do presidente Lula e da ministra Marina Silva, além de focar em investimentos, recursos e avanços científicos.
A atuação do Brasil foi elogiada por Elizabeth Maruma Mrema, diretora executiva adjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que ressaltou o Pantanal como um exemplo vivo de conectividade ecológica. Ela destacou que a COP15 é um momento para transformar compromissos em ações concretas para proteger as espécies, combater ameaças ilegais e coordenar esforços ao longo das rotas migratórias.
A secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, afirmou que o sucesso da conferência depende de superar obstáculos físicos e políticos. Ela mencionou os desafios nas negociações, que incluem a luta contra a caça ilegal, a perda de habitats, impactos da mineração submarina e a poluição sonora e química. Amy Fraenkel reforçou que as espécies migratórias são indicadoras da saúde do planeta e que seu fracasso pode indicar o colapso do sistema natural.
Dentre as pautas, está a inclusão de 42 novas espécies na lista de proteção da CMS. O governo brasileiro propõe a inclusão do pintado, um peixe migratório das bacias do São Francisco e do Prata. Atualmente, a CMS protege 1.189 espécies, que incluem aves, mamíferos terrestres e aquáticos, peixes, répteis e um inseto. Espécies são consideradas migratórias quando atravessam fronteiras para buscar alimento, água ou locais para reprodução.
As negociações continuam durante a semana, com propostas e decisões a serem formalmente adotadas em 29 de março. A ministra Marina Silva também destacou o papel das populações tradicionais na conservação da biodiversidade, mencionando que o Brasil já adota medidas e projetos para o uso sustentável dos recursos naturais.
Na noite de 23 de março, foi realizada a Noite dos Campeões das Espécies Migratórias, evento que reconheceu os países membros por suas contribuições na proteção das espécies. Além disso, o governo brasileiro promove eventos como o Espaço Brasil e a programação gratuita ‘Conexões Sem Fronteiras’ para apoiar as negociações e a conscientização pública.

