GIULIA PERUZZO
FOLHARESS
Informações iniciais do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, somente duas vacinas para bebês recém-nascidos, a BCG e a Hepatite B, atingiram a meta de 95% do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Os dados consideram as doses aplicadas até novembro do ano passado em crianças de até um ano.
A vacina BCG, usada para proteger contra formas graves de tuberculose em recém-nascidos, alcançou 96,80% de cobertura, contra 98,63% em 2024. Já a vacina contra hepatite B, aplicada no primeiro mês de vida, obteve 95,11%, ante 97% no ano anterior.
O Ministério da Saúde ressalta que esses números são preliminares, pois nem todos os municípios inseriram suas informações no sistema, podendo alterar os resultados.
Eder Gatti, diretor do departamento do PNI, comenta que o Brasil não tem atingido a maioria das metas de cobertura vacinal desde 2014, devido a dificuldades financeiras no SUS, problemas no abastecimento de vacinas e o aumento da desinformação sobre imunização.
Ele destaca que não alcançar as metas era esperado, já que a retomada da cobertura está ainda em processo de organização.
Comparando com 2022, houve uma melhora significativa na cobertura de vacinas, indicando recuperação após a queda provocada pela pandemia.
A vacina com menor adesão em crianças até um ano foi a contra a Covid-19, com apenas 3,49% de cobertura. Segundo Gatti, a desinformação e a falta de confiança nessa vacina específica contribuíram para esse baixo índice. Muitos pais também perdem o momento ideal para vacinar as crianças dentro do primeiro ano de vida.
Sobre dados de outras faixas etárias, o diretor informa que eles estão sendo preparados e serão divulgados ainda este ano.
Em julho de 2025, um relatório da Unicef e da OMS colocou o Brasil entre os 20 países com mais crianças não vacinadas, ocupando a 17ª posição em número absoluto de crianças sem a primeira dose da vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege contra difteria, tétano e coqueluche.
Veja a cobertura das demais vacinas para crianças menores de um ano:
- DTP: 87,69%
- Polio injetável (substituta das gotinhas desde 2024): 86,60%
- Pneumo 10 (contra pneumonia, meningite e otite): 92,66%
- Meningocócica conjugada (contra meningite e sepse): 90,13%
- Pentavalente (proteção contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite e pneumonia): 87,14%
- Rotavírus: 89,90%
Para crianças de um ano:
- Hepatite A infantil: 85,01%
- Primeiro reforço da DTP: 84,98%
- Primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola): 93,82%
- Segunda dose da tríplice viral: 78,91%
- Primeiro reforço da Pneumo 10: 90,07%
- Reforço da polio injetável: 85,95%
- Varicela: 78,09%
- Primeiro reforço da meningocócica conjugada: 91%
Para adultos:
- dTpa (proteção para gestantes contra difteria, tétano e coqueluche): 84,60%
