A Organização das Nações Unidas (ONU) comunicou na sexta-feira (6) a adesão do Brasil à Convenção Aduaneira para o Transporte Internacional de Mercadorias (conhecida como TIR, na sigla em inglês). Esse acordo tem como objetivo diminuir os custos de envio de mercadorias globalmente. Espera-se que o tempo de transporte dos produtos seja reduzido em 92%, enquanto os custos logísticos caiam pela metade. A adesão oficial acontecerá em 31 de julho.
O Brasil se une aos países vizinhos Argentina, Chile e Paraguai, além de outros 75 países membros. Na prática, o Brasil e esses parceiros vão melhorar a Rota Bioceânica, uma estrada que conecta os portos de Santos, no estado de São Paulo, aos portos de Iquique e Antofagasta, no Chile, ambos localizados no Oceano Pacífico.
Essa rota possui 2,3 mil quilômetros de rodovias que atravessam os quatro países e, com as melhorias feitas pelos governos, poderá facilitar o transporte de cerca de 8,6 milhões de toneladas por ano, valor próximo a 3 bilhões de dólares para setores importantes desses países, como os de produtos agrícolas, alimentos e minerais. O porto de Santos, o maior da América Latina, registrou em 2025 o recorde de movimentação de 186,4 bilhões de toneladas.
Integração regional e oportunidades globais
Outro benefício de entrar no sistema TIR é fazer parte de uma rede global de trânsito aduaneiro para transporte terrestre e multimodal de produtos, com procedimentos padronizados em todo o mundo. Isso também exige a digitalização dos documentos necessários para essas viagens, reduzindo o tempo de espera nas fronteiras e eliminando o uso de papel nas operações.
Tatiana Molcean, secretária executiva da ONU para a Europa, foi uma das responsáveis pelas negociações que levaram o Brasil a participar do acordo. Para ela, a entrada do país na convenção “trará muitos benefícios: além de melhorar a integração comercial regional, contribuirá para o desenvolvimento e a competitividade das economias sul-americanas”. Ela destaca que o TIR é um exemplo claro do valor prático dos tratados multilaterais da ONU.
