Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Saúde

Brasil acelera preparo contra desastres e mudanças climáticas com foco no El Niño

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

LUIS EDUARDO DE SOUSA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Com a aproximação do fenômeno El Niño, que pode trazer eventos climáticos severos, o Brasil está intensificando os esforços na medicina de desastres, área que planeja e responde a calamidades como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024.

O governo está investindo bilhões para aumentar os hospitais temporários e as equipes nas grandes cidades, conforme diz Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde. Instituições privadas também se preparam, qualificando profissionais especializados para agir em situações emergenciais.

A discussão se torna ainda mais importante com dois desafios principais: desastres naturais, como enchentes e secas, e o surgimento de novas epidemias, como o surto de ebola na República Democrática do Congo.

Publicidade

A medicina de desastres é um setor da emergência criado para atuar em situações fora do comum, quando a demanda ultrapassa a capacidade do sistema de saúde local. Ela é essencial em guerras, acidentes grandes e crises migratórias.

Adriano Massuda explica que o Brasil começou a se estruturar para isso em 2011, com a formação da Força Nacional do SUS, após deslizamentos no Rio de Janeiro. Essa equipe foi criada para responder a tragédias, especialmente com eventos grandes como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

A Força Nacional do SUS ampliou suas bases em 2026, incluindo Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro, e planeja abrir cinco novas unidades em 2027, distribuídas pelo Nordeste, Centro-Oeste e Norte do país.

O investimento previsto para fortalecer o sistema de saúde contra desastres chega a R$ 9,8 bilhões até 2035, segundo o secretário.

Essas bases têm tudo pronto para montar hospitais temporários rapidamente. Esse método é crucial para atender populações afetadas que podem perder acesso a hospitais e unidades básicas de saúde devido às catástrofes.

No Rio Grande do Sul, foram montados quatro hospitais temporários que atendem até 200 mil pessoas por três meses.

Antes de 2023, essa estrutura só funcionava quando havia demanda. Hoje, conta com 82 profissionais na gestão e 70 mil voluntários em todo o país, dos quais 3.500 foram treinados para emergências. Também há 70 especialistas em medicina aérea.

O objetivo é estar pronto para montar um hospital em qualquer local do Brasil em até 12 horas após um desastre.

A medicina de desastres ganhou destaque nos anos 1980 e vai além do atendimento emergencial, pois também atua na prevenção de situações de risco, explica o sanitarista Felipe Piza, responsável pelo setor de filantropia do Einstein Hospital Israelita.

O Einstein já participou de 20 missões de emergência desde 2008, incluindo terremotos, incêndios e rompimentos de barragens.

Felipe Piza destaca que enviar profissionais para desastres exige treinamento específico, pois o ambiente é hostil, o estresse é intenso e há riscos físicos e mentais para os trabalhadores. O treinamento deve continuar mesmo após as missões.

Cláudia Laselva, diretora de serviços hospitalares do Einstein, ressalta que os profissionais precisam ser criativos e atuar com base em evidências científicas e gestão de risco, mesmo em situações adversas.

Ela conta que, após os deslizamentos em São Sebastião em 2023, viu uma enfermeira que trabalhou 72 horas seguidas receber a equipe com alívio, mostrando o quanto o apoio é essencial.

Cláudia reforça que hospitais, empresas e entidades precisam estar preparados, pois desastres podem acontecer a qualquer momento, especialmente em locais com grandes aglomerações, como estádios.

Além da resposta imediata, a medicina de desastres atua no acompanhamento prolongado da população afetada. Dados do Datasus indicam que, após as enchentes no Rio Grande do Sul, os atendimentos por transtornos mentais aumentaram 11,7% nos dez meses seguintes, chegando a 64,2 mil casos, incluindo pânico e estresse pós-traumático.

As equipes continuam atendendo mesmo depois que o sistema local é reestabelecido, para suprir a alta demanda.

O Ministério da Saúde informa que as missões da Força Nacional do SUS cresceram nos últimos anos, foram 14 em 2023, 19 em 2024 e 45 em 2025. Os dados de 2026 ainda não foram consolidados.

Este projeto de saúde pública é apoiado pela Umane, que ajuda iniciativas de promoção da saúde.

Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.