Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ridicularizaram nas redes sociais o evento com baixa presença organizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista. Estima-se que cerca de 12,4 mil pessoas tenham participado, conforme dados de um projeto vinculado à Universidade de São Paulo (USP), marcando a menor mobilização desde o término do mandato do ex-presidente.
O ministro Paulo Teixeira, da pasta de Desenvolvimento Agrário, ironizou uma declaração feita por Bolsonaro durante seu depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF): “Somente 12 mil ‘malucos’ compareceram à avenida paulista para se despedir do futuro preso”, afirmou. “Os demais não quiseram aceitar a condição de ‘malucos’, como o próprio inelegível os chamou.” Em junho, Bolsonaro se referiu aos manifestantes que pediam intervenção militar em frente a quartéis como “malucos”.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) descreveu o evento como um “grande fracasso”. “O encontro pareceu o último suspiro de um bolsonarismo em crise, com discursos vazios, público reduzido e aliados em fuga”, declarou na rede social X (antigo Twitter).
O senador Humberto Costa (PT) comentou com ironia: “Parece que deu errado de novo, não é?” Nas redes, o termo “flop” é usado para indicar um desempenho abaixo do esperado.
Marcelo Freixo, presidente da Embratur, compartilhou uma fotografia aérea do evento mostrando a dispersão do público e afirmou que a imagem revela “mais uma situação constrangedora para o bolsonarismo”.
O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) disse que, além de Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também passou vergonha. O governador esteve presente e, durante seu discurso, pediu “anistia e pacificação”, criticou o PT e indicou apoio à candidatura de Bolsonaro para 2026, mesmo com a inelegibilidade do ex-presidente.
Embora não tenha reconhecido a baixa participação, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), justificou que fatores como “futebol” e “fim de mês” podem ter influenciado a presença do público. “Pode ter futebol, pode ser fim de mês, pode ser tudo. Eu desafio a esquerda brasileira a reunir 10% das pessoas que estão aqui”, disse em entrevista. No dia do ato, o Flamengo jogou contra o Bayern de Munique pelas oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes, em horário coincidente com a manifestação na Paulista.

