O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou nesta terça-feira (29/7) a sede do Partido Liberal (PL), acompanhado da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Perguntado por jornalistas, Bolsonaro evitou lidar com as questões: “Querem entrevista? Apenas solicitem autorização ao STF que eu concedo.”
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que impôs a Bolsonaro medidas como o uso de tornozeleira eletrônica, já determinou que não existe qualquer restrição para que o ex-presidente dê entrevistas, porém, como há proibição para publicação nas redes sociais, o político tem evitado se manifestar.
Bolsonaro e seus aliados seguiram para a Granja do Torto, onde simpatizantes planejam realizar uma motociata em sua homenagem.
Medidas impostas a Bolsonaro
- Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
- Recolhimento domiciliar noturno das 19h às 6h durante a semana, e integralmente nos fins de semana e feriados;
- Proibição de usar redes sociais;
- Proibição de se aproximar ou acessar embaixadas e consulados;
- Proibição de contato com embaixadores e autoridades estrangeiras;
- Proibição de comunicação com Eduardo Bolsonaro e investigados relacionados aos núcleos da trama golpista.
Mais cedo, Bolsonaro comentou que provavelmente não irá pilotar uma moto durante o evento promovido por seus apoiadores em Brasília, devido a uma restrição imposta por Michelle Bolsonaro. Ele ainda está se recuperando da cirurgia pela qual passou em abril.
A motociata de apoio ao ex-presidente está sendo amplamente divulgada pelos aliados, tendo como ponto de encontro o Capital Moto Week. Em vídeo, os apoiadores convocam para “ir à luta” por Bolsonaro.
Contexto do evento e cumprimento das medidas cautelares
O Capital Moto Week ocorre anualmente na região da Granja do Torto, em Brasília, reunindo motociclistas de todo o Brasil. Caso Bolsonaro participe, não será sua primeira aparição; em 2023, ele foi recebido por apoiadores com gritos de “mito”.
Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal no dia 18 de julho. O ministro Alexandre de Moraes aplicou restrições como o uso da tornozeleira eletrônica, restrição de circulação noturna, proibição de uso das redes sociais, e restrição de contatos com investigados, incluindo seu filho e deputado licenciado, Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Na decisão, Moraes indicou que há indícios de que Bolsonaro e Eduardo teriam tentado influenciar governos internacionais, especialmente dos Estados Unidos, para aplicar sanções a agentes públicos brasileiros.
Na segunda-feira anterior (21/7), Bolsonaro exibiu a tornozeleira para a imprensa, dizendo que ela representa o auge da humilhação. Moraes exigiu explicações, destacou o descumprimento das condições e advertiu que, se houver nova violação, a prisão preventiva será imediata.