Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, está focado em obter a maioria no Congresso Nacional a partir de 2027 para estabelecer um poder paralelo que desafie o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa estratégia considera até a possibilidade de um sucessor bolsonarista vencer as eleições presidenciais.
Desde o fim de seu mandato, Bolsonaro destaca a importância de conquistar mais cadeiras no Senado, que tem a atribuição exclusiva de julgar processos de impeachment contra ministros do STF. Aliados afirmam que ele valoriza essa conquista legislativa mais do que uma eleição presidencial direta, declarando que controlar o Congresso lhe conferiria poder até superior ao do presidente da República.
O ex-presidente também demonstra interesse em dominar a Câmara dos Deputados, a despeito de essa Casa não julgar ministros do STF, para viabilizar projetos importantes como a anistia para presos relacionados aos episódios do 8 de Janeiro.
Em um evento recente na Avenida Paulista, em São Paulo, Bolsonaro admitiu a possibilidade de incorrer em prisão ou até morrer antes das próximas eleições, ressaltando que, mesmo ausente, a liderança do seu grupo dominaria o Congresso, assegurando o controle das principais comissões e da presidência do Senado e da Câmara.
Para fortalecer essa estratégia, o partido PL pretende lançar candidatos em todos os estados e compor chapas com siglas aliadas, buscando apoio para políticos que se posicionem contrários ao STF, especialmente contra o ministro Alexandre de Moraes.
Aliados estimam que o PL elegerá cerca de 22 senadores e, somando os aliados, pode chegar a quase 50 assentos no Senado, posição que colocaria o partido à frente da presidência da Casa. Entre os nomes cotados está o senador Rogério Marinho.
O bolsonarismo já articula alianças com governadores de direita e figuras políticas para assegurar que o Senado permaneça sob sua influência, independentemente de quem ocupe a Presidência da República, o que é visto como crucial para garantir a efetivação de pautas como a anistia.
Além disso, Bolsonaro pretende assegurar vagas no Senado para membros de sua família, incluindo a possível candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro.
Na capital paulista, outro nome em evidência é o do deputado Eduardo Bolsonaro, que apesar de sinalizar interesse em uma candidatura, revela receio de voltar ao Brasil devido a riscos jurídicos, especialmente considerando tensões envolvendo o governo dos Estados Unidos.

