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domingo, 31/08/2025

Bolsonaro interrompe repouso após tarifa dos EUA e críticas

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Em Brasília

Afastado por recomendação médica desde o começo de julho, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) planejava descansar por um mês inteiro, porém desistiu do repouso depois da anúncio da tarifa elevada pelos Estados Unidos, liderados pelo presidente Donald Trump.

Desde então, o ex-mandatário tem feito aparições públicas e dado entrevistas, contrariando as orientações médicas e os pedidos de sua própria família.

O descanso havia sido divulgado no dia 1º de julho, com Bolsonaro informando que, seguindo recomendação médica, afastaria-se de compromissos devido a crises de vômitos, soluços contínuos e dificuldades para se alimentar e falar, sintomas que, segundo ele, são complicações da facada que sofreu em 2018. Seus médicos, Claudio Birolini e Leandro Echenique, haviam emitido uma nota detalhando a necessidade de um repouso domiciliar total durante o mês, sem atividades públicas ou políticas.

Preocupada com a recuperação do ex-presidente, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também agiu. Em 2 de julho, ela solicitou ao líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que orientasse os parlamentares a não contatarem Bolsonaro nesse período, buscando preservar a saúde dele.

Tarifa dos EUA

Em 9 de julho, Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, válida a partir de 1º de agosto de 2025. Segundo ele, a relação comercial entre os países é desigual, criticando barreiras tarifárias e não-tarifárias brasileiras.

Trump também relacionou a decisão à postura do Supremo Tribunal Federal (STF) com relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sugerindo que havia motivos políticos envolvidos.

O governo brasileiro respondeu formalmente com indignação em carta de 15 de julho, mas mostrou disposição para negociar. O presidente Lula afirmou estar aberto à discussão tarifária, mas não aceitará interferência externa, mencionando possíveis ações pela Lei da Reciprocidade Econômica e na Organização Mundial do Comércio.

Reação de Bolsonaro e movimentação política

O aumento tarifário teve impacto imediato no cenário político brasileiro e movimentou os apoiadores de Bolsonaro. Logo no dia seguinte ao anúncio, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), responsabilizou o governo Lula pela medida. Poucas horas depois, Bolsonaro reapareceu publicamente pela primeira vez desde seu afastamento, num encontro com o governador em Brasília.

Nos dias que se seguiram, o ex-presidente intensificou suas aparições. Em 15 de julho, concedeu entrevista ao portal Poder360, na qual declarou ser apaixonado por Donald Trump, a quem chamou de irmão, e lamentou não poder resolver o conflito tarifário. Reforçou ser contrário às tarifas e disse que, se tivesse liberdade para falar diretamente com o presidente norte-americano, tentaria reverter a situação, assim como seu filho Eduardo Bolsonaro.

Passaporte apreendido limita ações de Bolsonaro

Bolsonaro destacou na entrevista que sua capacidade de intervir está limitada pelo fato de seu passaporte estar retido pela Polícia Federal desde fevereiro, devido a processos judiciais relacionados a tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Mesmo assim, acredita que poderia intermediar um diálogo bem-sucedido com Trump e sugeriu que o governo Lula deveria sinalizar positivamente para facilitar essa negociação.

Essa posição foi reiterada em 17 de julho, quando Bolsonaro esteve no Senado Federal e afirmou que, com o passaporte, negociaria diretamente com os Estados Unidos. “Se o Lula sinalizar para mim, eu converso com o Trump. Quem não dialogar vai enfrentar consequências,” declarou.

Aliados do ex-presidente disseram que suas saídas durante o período de repouso médico acontecem por decisão própria, sem concordância da equipe médica ou da família. “Ele é muito determinado, não consegue ficar em casa,” contou uma fonte próxima.

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