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sábado, 29/11/2025

Bolsonaro adia compromissos e ficará um mês em descanso total

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FOLHAPRESS
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cancelou todas as suas atividades públicas e deverá permanecer em repouso absoluto durante o mês de julho, conforme comunicado divulgado nesta terça-feira (1º).

A decisão ocorreu após uma consulta médica de urgência. Bolsonaro, de 70 anos, enfrenta crises frequentes de soluços e vômitos, que chegam a dificultar até sua fala, conforme informação assinada pelo próprio ex-presidente e compartilhada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em redes sociais.

“Estão suspensas as agendas em Santa Catarina e Rondônia”, afirmou o ex-presidente em nota. Mais cedo, ele já havia cancelado sua participação no lançamento do PL60+ no Distrito Federal, na Câmara dos Deputados.

Segundo atestado dos médicos Claudio Birolini e Leandro Echenique, o repouso tem como objetivo garantir a completa recuperação da saúde de Bolsonaro após uma cirurgia importante, internação prolongada, quadro de pneumonia e episódios recorrentes de soluços.

“Durante esse período, ele estará afastado das suas atividades habituais, inclusive eventos públicos e funções político-partidárias, retomando-as quando estiver plenamente restabelecido.”

Na quarta-feira (2), um novo boletim médico destacou que o ex-presidente foi submetido a uma endoscopia, que indicou esofagite. As recomendações médicas anteriores permanecem válidas.

“O tratamento medicamentoso será intensificado, iniciado alguns dias atrás. Seguem orientações para moderação da fala, dieta controlada e repouso familiar”, diz a nota.

Os médicos que acompanham Bolsonaro fazem parte da equipe que trabalhou com ele desde sua internação em abril, quando ele passou 21 dias hospitalizado após sentir-se mal durante uma agenda no interior do Rio Grande do Norte.

Naquele período, o ex-presidente realizou sua sexta e mais longa cirurgia abdominal desde o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018. O procedimento, que durou 12 horas, envolveu uma laparotomia exploradora para liberação de aderências intestinais e reconstrução da parede abdominal, segundo comunicado do hospital DF Star.

As aderências intestinais são formações fibrosas decorrentes de processos de cicatrização, seja pelo trauma inicial ou por cirurgias posteriores. Ao endurecerem, formam tecidos que podem grudar partes do intestino, dificultando a passagem dos alimentos.

A laparotomia exploradora consiste na abertura da parede abdominal para identificar pontos de obstrução, seguida do corte dessas aderências para liberar o intestino e, por fim, a reconstrução da parede abdominal.

Após receber alta, Bolsonaro participou de uma manifestação em Brasília no dia 7 de maio. Desde então, vem apresentando episódios de mal-estar abdominal e soluços, inclusive durante entrevista em rádio bolsonarista na semana passada.

No dia 20 de junho, ele passou mal durante uma agenda em Goiás e retornou a Brasília para realizar exames. No dia anterior, esteve na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, onde pediu desculpas e relatou que vomita “dez vezes por dia”.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em rede social, afirmou que o marido “precisa deste tempo para se recuperar totalmente” e que em breve “ele estará 100% para retomar suas atividades de trabalho”.

A orientação médica representa um impedimento para os planos de Bolsonaro de manter sua base ativa diante da proximidade do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do processo relacionado à trama golpista. O caso está em fase final e espera-se que seja julgado em setembro.

A condição de saúde do ex-presidente agravou-se após participar de um ato no último domingo (29) na avenida Paulista. O protesto contra o STF teve como lema “justiça já” e Bolsonaro discursou por cerca de 30 minutos sob o sol, em um trio elétrico, durante um evento de mais de duas horas.

Apesar de estar inelegível até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral, o ex-mandatário insiste que vai concorrer à presidência em 2026. Contudo, em manifestação recente, considerou a possibilidade de não retornar ao cargo. “Nem eu preciso ser presidente”, afirmou.

Com Bolsonaro fora da disputa, o campo de direita enfrenta incertezas sobre quem será o candidato para enfrentar o presidente Lula nas próximas eleições. Entre os nomes cotados está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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