Bolsonaristas relataram em transmissões ao vivo e publicações na rede social X ofertas de dinheiro para atacarem outros membros do PL nas redes sociais.
Segundo conversas e mensagens trocadas na plataforma, alguns integrantes do partido estariam financiando ações contra adversários internos.
Em uma live realizada no dia 25 de agosto, organizada pelo apoiador bolsonarista Rafael Cavalcanti, que promovia debates semanais desde o início da pré-campanha, foram discutidos 50 perfis que seriam alvos de ataques por grupos rivais dentro do PL.
Durante a live, os participantes explicaram que as orientações para os ataques incluíam bloquear, silenciar perfis e usar bots para pressionar os adversários. Algumas instruções teriam vindo de Eduardo Bolsonaro, segundo um dos usuários envolvidos. Contudo, o ex-deputado afirmou desconhecer os fatos quando contatado.
Os perfis mencionados são pessoas reais, que apoiam diferentes alas do bolsonarismo, e as contas estão ativas desde pelo menos 2021.
Um dos participantes perguntou na transmissão se uma lista com 50 nomes existia, com oferta de pagamento para que eles fossem cancelados nas redes. Outro participante confirmou a lista, disse que foi oferecido R$ 100 por nome, mas negou ter aceitado a proposta.
Também foi revelado que foram pagos para realizar campanhas fora das redes sociais para pré-candidatos do PL.
Após a live, outros perfis novamente relataram ter recebido ordens, supostamente de Eduardo Bolsonaro, para atacar apoiadores do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
O deputado Nikolas Ferreira vem enfrentando críticas na sua ala política por não ter se engajado fortemente na campanha de Flávio Bolsonaro para presidente, o que causou desentendimentos dentro da direita.
Um usuário que estaria na lista de alvos questionou se os ataques virtuais estavam sendo financiados por recursos do partido e reclamou publicamente pelo que chamou de perseguição promovida pela própria sigla.
A reportagem tentou contato com assessores do PL e da campanha de Flávio Bolsonaro, mas não obteve resposta. Também não foi possível falar com Rafael Cavalcanti, responsável pela live.

